BLUES - Uma diva quecanta com a alma
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de março de 2005
Kiko Jozzolino<br> Especial para a Folha 
''A nova primeira-dama do jazz'', foi assim que Diane Schuur foi apontada pela crítica. Ela ganhou dois Grammies como melhor cantora de jazz e é assumidamente influenciada por Dinah Washington. Seu alcance vocal de três oitavas e meia é um prodígio (três oitavas já são consideradas muito acima da média para qualquer cantor ou cantora).
Cega de nascença, Deedles, como é chamada desde a infância, foi descoberta por Dizzy Gillespie, com quem cantou no Monterey Jazz Festival de 1979. Stan Getz ficou tão impressionado com o show que passou a apadrinhá-la: ''Eu não pude acreditar no que ouvi. Ela segue a tradição de Ella (Fitzgerald) e Sarah (Vaughan) mas acrescenta sua própria contribuição ao avanço dessa tradição'', diria Getz mais tarde. O saxofonista inclusive levou-a para cantar na Casa Branca.
Em sua longa discografia estão títulos aclamados como ''Diane Schuur & The Count Basie Orchestra'', ''Heart to Heart'' (em duo com B.B. King), ''Blues for Schuur'' (dedicado a clássicos do gênero), ''Love Walked In'' (em tributo a Dinah Washington) e ''Love Songs'', com preciosidades do pop.
Em sua banda, como produtor, arranjador e guitarrista, um brasileiro, Oscar Castro-Neves , carioca, que no final dos anos 50 juntou-se ao grupo dos bossanovistas e participou do Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall, em Nova York, 1962. Voltou ao Brasil algumas vezes mas acabou radicando-se nos Estados Unidos a partir de 1966.
A cantora americana que canta com a alma, vem para o Brasil em extensa turnê, de 31 de março a 25 de abril. Os shows já confirmados serão em São Paulo (no Bourbon Street, em 31 de março), Brasília (no Teatro Nacional, em 2 de abril), Curitiba (Teatro Guaíra, em 6 de abril), Rio de Janeiro (Canecão, dia 08), e Belo Horizonte (Palácio das Artes, dia 9). Haverá ainda um show extra em São Paulo, que poderá ser no Bourbon Street.
BLUE NOTES
Mr. Blues
Inaugurado em 10 de fevereiro de 1990 na rua São Gabriel, no Itaim Bibi, o Mr. Blues tornou-se o templo do blues paulistano. Virtualmente todos os músicos conhecidos da cidade (e também internacionais, como o saxofonista dos Rolling Stones, Bobby Keys, e os guitarristas Steve James e Teddy Morgan) passaram pelo palco da casa, que já se chamou Blue Note e Blue Night, mas sempre com o mesmo enfoque no blues. Para comemorar o aniversário de 15 anos, o Mr. Blues fará um festival ainda em março com bandas do primeiro escalão paulista. Para os festejos a casa passou por ampla reforma que, entre outras coisas, embelezou a fachada, reabriu o agradável jardim externo e incrementou a decoração com quadros de bluesmen..
Novo espaço para blues e jazz em SP
Uma nova e imponente casa voltada para o jazz e o blues foi inaugurada em São Paulo no ano passado: Bleecker St. Live Music Club, na Vila Madalena. Com capacidade para 400 pessoas, muito conforto e com todas as mesas com boa visão para o amplo palco, o Bleecker esmera-se na qualidade do som e na programação: André Christovam, Nasi & Os Irmãos do Blues, Sérgio Duarte & Entidade Joe, Blue Jeans, Fernando Noronha & Black Soul, Lancaster & Flávio Naves, Vasco Faé, Robson Fernandes e Pado Blues Band são alguns que já tocaram lá. O blues tem data fixa às quintas-feiras e o jazz, às sextas.
O nome da casa é uma referência à rua de mesmo nome no Greenwich Village, bairro boêmio de Nova York, famosa pelos bares e pubs com música ao vivo. Não por acaso, o Bleecker fica no bairro boêmio de São Paulo, a Vila Madalena (na rua Inácio Pereira da Rocha, 367).
kiko jozzolino @ folhaweb .com.br


