Nascido em 6 dezembro de 1920 na Califórnia, vindo de uma família de músicos, Dave Brubeck começou a tocar piano aos quatro anos de idade e violoncelo aos nove. Estudou com o renomado compositor francês Darius Milhaud antes e depois da Segunda Guerra, além de ter sido um dos grandes divulgadores da bossa nova.
Brubeck estudou veterinária antes de se enveredar no caminho do jazz, ele queria na verdade era ser caubói como seu pai, mas com a guerra, sobre as ordens do General Patton, o músico foi enviado a Europa para lutar contra os nazistas.
Além de pianista e compositor Dave Brubeck é um dos músicos de jazz mais velhos ainda em atividade no mundo, ele completa no mês que vem, 85 anos. Foi o primeiro músico de jazz a sair na capa da revista ''Time'', em 54, além de ser o primeiro jazzista a vender um milhão de cópias do disco ''Time Out'', gravado ao lado do seu parceiro o saxofonista, Paul Desmond.
Brubeck mostrou ao mundo do jazz que podia escapar do formato 4/4, lembrando alguns blues rurais, ele mudava e cantava 5/4 para provar que jazz poderia ser algo além do 4/4. Foi criticado por alguns por isso, inclusive, até mesmo a Columbia tinha receio de colocar o álbum no mercado. Dave diz que deve isso a todos os músicos negros com quem aprendeu muito sobre ritmo.
Dave não gosta de falar em política mas ele tocou na Casa Branca para todos os presidentes dos EUA desde Jonh Kennedy. Foi ele que epitomizou o estilo de jazz suave da Costa Oeste antes de Duke Ellington o convidar para tentar a vida em Nova Iorque, e foi esse tipo de jazz que inspirou Tom Jobim e João Gilberto nos anos 50 quando inventaram a bossa nova. Às vezes Brubeck se sente pouco lembrado quando se fala em bossa nova, muitos falam em Stan Getz, que gravou com Tom Jobim e João Gilberto, mas se esquecem que Brubeck gravou um disco chamado ''Bossa Nova'' e ajudou muito a divulgar a música brasileira nos Estados Unidos, tocou com muitos músicos brasileiros e ''Garota de Ipanema'' é uma das suas músicas preferidas.
Brubeck tinha muita admiração por Duke Ellington e pela música erudita.
Ele criou o Brubeck Institute para preservar a memória do jazz, o instituto é ligado a University of the Pacific. Criado há cinco anos já concedeu bolsas de estudo a muitos jovens talentosos que podem, além disso, pesquisar documentos importantes da história do jazz, alem de um importante festival anual.
Brubeck acaba de ser homenageado com o lançamento de um documentário ''Rediscoverig'', feito para a PBS em 2001, lançado agora pela Indie Records, com cenas históricas da vida do pianista. No DVD podemos ver dados não só do músico como do homem que renovou a linguagem do jazz, sempre fiel ao espírito ecumênico de usar a musica para unir etnias e difundir o amor ao próximo.
O DVD mostra a experiência com seu quarteto, formado em 1951, com Paul Desmond - sax , Eugene Wriht - contra baixo, Joe Morello - bateria, mostrando entrevistas com os remanescentes do grupo, é mais que um tributo a um dos maiores músicos americanos de todos os tempos.
O documentário revela a personalidade de Brubeck como um pianista que se manteve fiel ao experimento musical sem se converter os estereótipo do músico de jazz caído na sarjeta, tomando drogas e enchendo a cara.
Depois de meio século de palcos, em total atividade, ele inicia hoje uma turnê de 20 dias passando por sete países europeu, e seu grande amigo brasileiro João Carlos Martins, tenta convencê-lo a vir tocar no Brasil no ano que vem, com sua Bachiana Chamber Orchestra.
A verdade é que Dave Brubeck é responsável por uma das experiências mais bem sucedidas da Third Stream, a integração de elementos do jazz e da música erudita, sua predileção por compassos em números primos - 5/4, 7/4, 11/4 - suas ousadias harmônicas e mudanças de andamento o fizeram, um pianista inovador.
Sua música conseguiu alcançar sucesso junto ao público, mesmo aquele não iniciado no jazz e Brubeck é ainda hoje uma referência obrigatória para qualquer apreciador e conhecedor do gênero.
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