BLUES - Um norte-americano apaixonado pelo Brasil
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de setembro de 2005
Kiko Jozzolino<br> Especial para a Folhas 
Aos 67 anos, o norte-americano Ron Carter esteve no Brasil para se apresentar no Festival de Jazz de Ouro Preto. Amante da música brasileira, Ron Carter ganhou um disco de Jobim assim que o brasileiro aportou nos Estados Unidos, com a recomendação de ouvir para aprender um pouco da nossa música.
Desde então, Ron Carter apaixonou-se pela música do Brasil. Ele tocou com vários artistas nacionais, como Milton Nascimento, Astrud Gilberto, Luiz Bonfá, Flora Purlim, Airto Moreira, Rosa Passos e Gal Costa, participou de um show em homenagem a Tom Jobim, quando este ainda era vivo, em duas edições uma no Brasil e outra nos Estados Unidos.
No Brasil pela décima vez, Carter deixa claro que não visa somente aos cachês pelas suas vindas para cá. O interesse nas viagens é extremamente ligado à sua curiosidade pela cultura musical do país, que analisa como ''não infectada'' pela sonoridade americana: ''A percussão tocada no Brasil é completamente diferente daquela música brasileira que ouvimos nos Estados Unidos'', declara.
Graduado, mestre e doutor em música, Ron Carter é um dos mais apreciados e respeitados contrabaixistas da atualidade. Ele participou mais de três mil gravações, acompanhando diversos artistas, além de gravar mais de 50 álbuns solos. Compôs também diversas trilhas sonoras para cinema.
Ron Carter começou a carreira aos oito anos tocando no quinteto de Chico Hamilton, tocou também no quinteto de Miles Davis de 1963 a 1968, na notável formação que incluía também o pianista Herbie Hancock, o baterista Tony Williams e o saxofonista George Coleman. A lista de grandes nomes com os quais tocou inclui George Benson, Aretha Franklin. Thelonious Monk, Tommy Flanagan, Gil Evans, Bill Evans, Dexter Gordon, Wes Montgomery, Eric Dolphy, Don Ellis, Cannonball Adderley, Mal Waldron, Sonny Rollins, McCoy Tyner, Freddie Hubbard, Cedar Walton, Jim Hall, George Duke, e Lena Horne.
Dono de uma vasta cultura musical, o versátil Carter trabalhou dentro de variados estilos musicais como jazz-rock, experimentos em música erudita de câmara, jazz mainstream, música de influência brasileira, e outros estilos. Em todos esses gêneros, e com as mais diferentes formações, Carter imprime sua marca de um som encorpado, rico timbre , afinação perfeita, improvisos bem desenvolvidos, alem de um swing impecável.
Outro aspecto interessante é que, quando toca como líder, Carter às vezes recruta outro contrabaixista para fornecer uma base rítmica sólida enquanto ele improvisa. Ron fez uma declaração falando sobre vários assuntos entre eles lembrou a facilidade que os artistas têm hoje pra gravar. Segundo ele o mais importante na carreira de um músico é fazer shows, não adianta ser conhecido, ter gravadora, e fazer três shows por mês. O músico de verdade sente emoção no palco e no futuro bem próximo as gravadoras vão se tornar uma coisa supérflua, devido a tantos canais de divulgação.
Ron Carter recebeu prêmios Grammy, e também prêmios do Detroit News, da National Academy of Recording Arts and Sciences e da revista Down Beat. Graduado, mestre e doutor em música, Carter também tem uma sólida carreira como professor, educador e regente. É atualmente Distinguished Professor of Music no City College of New York. Também compôs diversas trilhas sonoras para cinema. No Brasil fez questão de lembrar das vítimas do furacão Katrina, que atingiu recentemente a cidade de New Orleans, nos Estados Unidos, reduto dos melhores músicos do gênero.
BLUE NOTES
Novo Cd do Santana
Novo Cd do Santana
O novo álbum de Santana, All That I Am, terá lançamento mundial no dia 31 de outubro e está repleto de convidados, como Kirk Hammett, guitarrista do Metallica, na faixa Trinity, e Michelle Branch, em Im Feeling You, primeira faixa de trabalho, que chegou às rádios nesta semana. All That I Am conta ainda com as participações especiais de Mary J. Blidge e Big Boi (Outkast), em My Man, Black Eyed Peas, em I Am Somebody, Joss Stone em Cry Baby Cry e Los Lonely Boys, em I Dont Wanna Lose Your Love, dentre outros. O CD deve repetir o êxito de Supernatural e Shaman, que venderam 280 mil e 180 mil cópias, respectivamente.
Santana no Brasil
O guitarrista, que ganhou recentemente o prêmio Lenda da Música no World Music Awards 2005, confirmou três apresentações no Brasil no ano que vem. Os shows irão acontecer dia 15 de março, no Estádio Olímpico; dia 17 no Pacaembu, em São Paulo; e dia 18 na praça da Apoteose, no Rio de Janeiro.


