Jerry nasceu em Gulfport, estado da Louisiana, no ano de 1885. Aprendeu a tocar piano ainda muito jovem, e aos 17 anos já era um pianista famoso. No começo relutou até tocar o piano pois disseram a ele que piano era ''coisa de menininha'', e isso o levou a aventurar-se a tocar outros instrumentos, até o dia em que viu pela primeira vez um pianista de ragtime apresentar-se em sua cidade , apaixonou-se pelo piano e deixou o preconceito de lado.
Músico creole - nome dado às pessoas nascidas ali em New Orleans (os crioulos da terra) - dizia-se descendente de franceses, mas na verdade era filho de uma mãe solteira oriunda do Haiti. Ao contrário da maioria dos creoles que costumavam ser esnobes, Morton era um boêmio, adorava a noite, beber e jogar conversa fora, além obviamente de tocar.
Após a morte de sua mãe, é criado por uma avó que gostava de música francesa e ópera. Ainda adolescente, arruma um emprego em uma casa de tolerância em Storyville, onde tocava piano acompanhando a performance das prostitutas, recebendo caixinhas de acordo com o desempenho das moças. Para sua avó, porém, disse que arrumara um emprego de vigia noturno. A mentira não durou muito tempo, e ao descobrir a verdade ela o expulsou de casa. Morton aproveitou a liberdade de seus dezessete anos para cair na estrada e viajou pelos quatro cantos dos EUA, tocando, dançando e cantando, muitas vezes se pintando de negro (como menestrel) para atuar no vaudeville. Quando não estava fazendo nenhuma dessas coisas, fazia bicos como cafetão, arriscava a sorte nas cartas e mesas de bilhar, ou então vendia elixires milagrosos, resumindo era um exemplo de garoto.
Apesar da pouca idade, ele era muito requisitado para tocar nos cabarés de Storyville, New Orleans. Em 1906, Jelly dizia ter inventado o jazz. Ficou em New Orleans até completar 20 anos, quando partiu para várias turnês pelos Estados Unidos para finalmente estabelecer-se na Califórnia, onde ficou até 1922, ano em que se mudou para Chicago.
Durante 1926 e 1928, com seu conjunto ''Red Hot Peppers'', fez as suas mais importantes gravações e em 1928 mudou-se para Nova York, virando uma das vítimas da Grande Depressão que atingiu gravemente a economia do país.
Em 1937, reapareceu num pequeno clube em Washington onde foi redescoberto pelo musicólogo Alan Lomax, que organizou as gravações de Jelly, sua voz e seu piano para a Biblioteca do Congresso, com uma extensa biografia musical que recebeu o nome de ''The Saga of Mr. Jelly Lord''.
De 1937 até sua morte, Jerry Roll tentou sem sucesso retomar seu prestígio. Foi para Los Angeles, na Califorrnia, onde morreu em 1941.
Em 1979, a obra de Jerry Roll foi editada, na França, pela RCA com o nome de ''The Complete Jelly Roll Morton''. Nos Estados Unidos, fez parte da coleção de discos ''Giants of Jazz'', lançada pela revista Time-Life. Os dois lançamentos tornaram Jelly como uma pessoa definitiva do jazz de todos os tempos. Entre suas obras primas destacam-se ''Doctor Jazz'' e ''The Chant''.
Em seu cartão de visitas, Morton se auto-intitulava o ''inventor do jazz'', o que está longe de ser verdade - apesar de lhe caber o mérito de ter ajudado a estabelecer padrões para o estilo, e de ter sido o primeiro músico a transcrever suas inovações para as partituras.

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