The Holmes Brothers, trio de soul criado em Nova York, lidera os indicados para a edição 2005 dos W.C. Handy Blues Awards, uma premiação entregue anualmente pela Fundação do Blues. Também concorrem ao troféu de artista de blues do ano B.B. King, o bluesman sulista Bobby Rush, o gaitista Kim Wilson, o pianista Pinetop Perkins e o cantor Solomon Burke.
Os troféus, que são os de maior prestígio no ramo do blues, serão entregues em 5 de maio no Centro de Convenções Cook, em Memphis. Os vencedores são escolhidos pelo voto dos membros da Fundação do Blues.
O álbum Simple Truths (Alligator Records), dos Holmes Brothers, foi indicado nas categorias ''Melhor álbum de blues do ano'' e ''Melhor álbum de blues contemporâneo''. O grupo também vai concorrer ao troféu de ''Banda de blues do ano''.
Além disso, ''Run Myself Out of Town'', composição de Wendell Holmes, foi indicada na categoria ''Melhor canção''. O irmão de Wendell, Sherman Holmes, foi indicado para ''Melhor instrumentista de baixo'', e o colega de banda deles, Popsy Dixon, na categoria ''Melhor instrumentista de bateria''.
O gaitista Paul Oscher, veterano da banda de Muddy Waters, recebeu quatro indicações. Receberam três indicações cada Bobby Rush, Kim Wilson, Pinetop Perkins, o cantor e guitarrista W.C. Clark, os harpistas Rod Piazza, James Harman e Charlie Musselwhite e a vocalista Mavis Staples.
Produzido por Craig Street o disco faz jus ao título: soul, blues, country, gospel, funk, versatilidade, harmonias vocais perfeitas. Passeios entre rythm and blues, solos de guitarra de Wendell Homes acompanhados com o auxílio luxuoso da bateria de Willie ''Popsy'' Dixon e o baixo de Sherman Homes . Mas é em ''Shine'' que começam a brilhar as harmonias vocais do trio, para dar lugar, em ''We meet, we part, we remember'', um soul music sensacional. Depois, o disco vai variando de estilo com um bom gosto entre versões, como ''If I needed you'' de Townes Van Zandt, o piano como pano de fundo ou a alegria acústica de ''Hey baby''. São três caras que tem uma intimidade musical como poucos.
Cada versão é atacada com um tratamento diferente. ''I'm so lonesome I could cry'', de Hank Williams, renasce na voz enrouquecida e na guitarra de Wendell. O trio parece querer acender as velas na celebração romântica da soul de ''Everything is free''. Temos ainda uma entusiástica leitura blues rock de ''Big boss man'', mais um gospel ao piano em ''Opportunity to cry'', um tema de reggae, ''Concrete jungle'', transformado em country blues ou o blues eléctrico incomparável de ''You won't be livin' here anymore''. O CD conta ainda com o slide da balada ''He'll have to go'' e o Delta blues desolado e triste de ''I'm so lonely''. A base do som destes músicos veteranos e grisalhos foi sempre o blues e o gospel. O cruzamento da religiosidade do gospel com a música secular nunca representou problema de consciência para a banda. É muito som, vale a pena conferir.

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