BLUES - O 'gramático' do blues moderno
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de maio de 2005
Kiko Jozzolino<br> Especial para Folha2 
Em primeiro lugar vale dizer que Freddie King não é parente de Albert King ou B.B. King, seu verdadeiro nome é Fread E. Martin. Freddie King foi uma figura fundamental para uma geração de guitarristas que praticamente escreveu toda a gramática fundamental do blues moderno. Naquelas frases que fazia usando o polegar da mão direita para tocar, em vez da palheta, ele conseguia tirar um som limpo e preciso, além de muito técnico. A energia que decorria de sua música, aliada a sua técnica, inspirou lendários instrumentistas que deixaram sua marca na história, como Stevie Ray Vaughan, Mick Taylor, Eric Clapton e Keith Richards, isso só para citar alguns.
Hoje, a sonoridade do guitarrista texano pode parecer meio batida para alguns, mas é preciso pensar que, no final dos anos 60, Freddie King foi responsável por dar uma cara mais moderna ao blues, incorporando novos elementos que, até hoje, fazem parte do gênero, e demarcaram os caminhos do blues.
O jardim pós-guerra do blues florescia em Chicago no final da década de 40 e início dos anos 50, chegando ao público por intermédio de nomes como Jimmy Rogers, Muddy Waters, Howlin Wolf, Eddie Taylor e T-Bone Walker.
Foram esses personagens que o jovem Freddie King , então com 16 anos de idade, encontrou ao se mudar com seus pais para a cidade grande. Assim como o estilo musical que corria em suas veias, Freddie King nasceu no sul dos EUA, mais precisamente em Gilmer, no Texas, em 30 de setembro de 1934. Seu primeiro contato com o blues country veio por meio de sua mãe e de seu tio, que o iniciaram no violão aos seis anos de idade.
Seguindo o caminho da música, deixou sua terra natal e foi para Chicago, onde a convivência com o estilo recém-batizado de rhythm'n blues, tocado com guitarras elétricas, piano e bateria, contaminou-o e o fez desenvolver e cristalizar seu próprio estilo.
Uma passagem interessante aconteceu certa noite, quando entrou em um bar para assistir à performance de uma banda da qual fazia parte o consagrado guitarrista Howlin' Wolf. King apostou com seus amigos que sentaria no palco e tocaria uma música com o grupo. Ganhou a aposta. Porém, o dono do bar, ao perceber que ele não tinha idade suficiente para frequentar o local, mandou que saísse dali. Wolf interveio dizendo que o garoto estava com ele. Impressionado com seu talento, o renomado bluesman disse: ''Você segura a guitarra como um veterano. O Senhor com certeza te colocou aqui para tocar o blues.'' Nasceu ali uma grande amizade, que colocou o jovem Freddie em contato com a nata do gênero de Chicago.
Freddie King morreu em 28 de dezembro de 1976 de problemas cardíacos, em Dallas, aos 42 anos. Ele foi o primeiro entre os três grandes ''Kings'' do blues, a nos deixar, os outros dois sendo Albert King (falecido em 1992) e BB King, este último ainda nos agraciando com sua música. Eric Clapton que excursionou com ele entre 1974 e 1975 declarou: ''Freddie King foi quem me ensinou como fazer amor com uma guitarra''.
Não precisa gostar de blues para se fascinar pelo toque de Freddie, quem ouve logo se apaixona pelos seus fascinantes acordes, e sua dobradas de voz e guitarra, que com simplicidade consegue transparecer uma emoção transmitida por poucos.
Blue Notes
Festival
Em sua terceira edição, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival consolida posição de destaque no cenário musical do Brasil. De 25 a 29 de maio, uma seleção dos melhores instrumentistas e intérpretes da atualidade está se apresentando em palcos montados na Costazul, na Praia da Tartaruga e na Lagoa de Iriry. A programação de shows mescla artistas estrangeiros consagrados como Magic Slim, John Scofield, Mike Stern, Eddie C. Campbell, Nnenna Freelon e Kenny Garrett, nomes do jazz nacional - Egberto Gismonti, Wagner Tiso, Ithamara Koorax e Vitor Biglione - e do blues brasileiro, representado por Celso Blues Boy, Big Joe Manfra, Jefferson Gonçalves e Sérgio Duarte, é gente que faz blues de verdade, são músicos que falam pouco e tocam muito.
[email protected]


