BLUES - Na rota do Blues
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quinta-feira, 18 de março de 2004
Kiko Jozzolino<br> Especial para a Folha2 
Já foram confirmadas as atrações do Natu Blues Festival, sob o comando de André Christovam. O evento ocorre dias 31 de março e 1º de abril no Opinião Bar, na capital gaúcha; 1º e 2 de abril no Espaço Callas, em Curitiba, e 2 e 3 de abril no Espaço Fios e Formas, em Floripa. O festival, que leva a marca do uísque Natu Nobilis, traz a guitarrista Deborah Coleman, o guitarrista e organista Lucky Peterson e o organista Deacon Jones, além de várias atrações nacionais e durante este mês vamos falar um pouco mais sobre os convidados:
Deborah Coleman Embora ela seja apontada ainda hoje como revelação do gênero pelas principais publicações (JazzTimes, DownBeat, Blues Revue, Living Blues), a carreira de Deborah deslancha com facilidade desde 1994, quando gravou Takin'A Stand, pela New Moon Records. A guitarrista, cantora e compositora já recebeu seis indicações para o W.C. Handy Awards (o Grammy do blues), e está disputando o prêmio deste ano na categoria ''melhor artista contemporâneo''. Ainda que tenha vários CDs gravados, é no palco que ela recebe os maiores elogios, pelo carisma e a energia contagiante. Não por acaso, seus primeiros ídolos foram Jimi Hendrix, Jeff Beck, Cream e Led Zeppelin, através dos quais descobriu Buddy Guy, Freddie King e Albert Collins, entre outros. A crítica a vê como uma mistura de Tracy Chapman e Jimi Hendrix, sem exageros.
Lucky Peterson Já o guitarrista e organista é um verdadeiro fenômeno, nascido em Buffalo, N.Y., filho do guitarrista, pianista e vocalista James Peterson o então proprietário do Governor's Inn. Um ambiente muito propício para o desenvolvimento do talento de alguém que gostasse de blues, nascer assim em berço esplêndido teria de ser uma questão que iria além de mera sorte! Aos três anos de idade já participava de shows, e aos cinco lançou seu primeiro disco, produzido por Willie Dixon! A proeza levou-o direto aos programas de maior audiência na televisão. Ainda criança, tocou com mestres como Jimmy Reed e Lightnin' Hopkins, e aos 20 anos estava na banda de Bobby Bland. Hoje, aos 40, é considerado um respeitável veterano, gravando pelos maiores selos do blues (Alligator) e até do jazz (Verve). Ainda trabalhou no cinema ao lado de Wynton Marsalis. Ele traz em sua banda o guitarrista Rico McFarland, que poderia tranquilamente vir como astro principal. Além de ter carreira solo, Rico foi da banda de James Cotton e tocou também com Albert King e Kinsey Report. Seu novo trabalho ''Black Midnight Sun'' mescla passado, presente e futuro de maneira muito especial, todas as possibilidades de blues são exploradas de forma muito relevante.
Deacon Jones Outra figura lendária, o organista, que tocou por sete anos ao lado do gigante Freddy King e mais dezoito como braço direito de John Lee Hooker, ele gravou vários discos com ambos, sendo que num deles, de Hooker, contracenou também com os convidados como Carlos Santana e Albert Collins. Foi Freddy King quem lhe ensinou que para possuir a verdade dessa linguagem seria necessário ''comer, dormir, andar, falar e viver o blues''. Além disso, ele foi cinco vezes eleito ''Keyboard Player of the Year'', o maestro do B3 tem espalhado o seu gospel blueseiro por mais de 40 anos como sideman mundo afora, em apresentações no Canadá, Brasil, Argentina, Inglaterra, França, Alemanha, Irlanda, País de Gales, Hong Kong e Austrália, sempre com muito talento, fervor e carisma. Tocou ainda com Curtis Mayfield e costuma acompanhar a cantora Marva Wright, rainha do blues de New Orleans, em turnês internacionais. Ele vai tocar no festival como convidado de Big Chico & The Shufflers.
kiko jozzolino @folhaweb.com.br


