BLUES - Música norte-americana perde um grande nome
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quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Kiko Jozzolino<br> Especial para a Folha2 
Após ter sua casa na Louisiana destruída, o cantor e guitarrista americano Clarence 'Gatemouth' Brown morreu aos 81 anos com câncer de pulmão e problemas no coração. Gatemouth perdeu sua casa e todos os pertences na cidade de Slidell, perto de Nova Orleans, por causa do furacão Katrina, e seu agente disse que o músico ficou muito abalado. Gatemouth despontou nos anos 40, e além da guitarra, ele tocava violino, bandolim, viola e bateria. Em 1982, o músico ganhou o prêmio Grammy da categoria blues pelo álbum ''Alright Again!''.
Sua obra inclui ainda trabalhos com nomes como Eric Clapton, Ry Cooder e Frank Zappa. A música de Clarence ''Gatemouth'' Brown está acima de qualquer rótulo, é considerado um bluesman que teve um importante papel no desenvolvimento do blues do Texas, de onde é originário. Facilmente citado como uma lenda da música americana e como um mestre eclético das expressões musicais texanas das raízes onde está presente não só o blues mas também o country, o cajun, o bluegrass, o western swing ou o gospel.
Sua versatilidade se deve a seu pai, um músico popular na cidade texana de Orange, especializado em cajun, country e em bluegrass, mas não em blues. Logo na adolescência Clarence 'Gatemouth' Brown se sentiu atraído pelas big bands da época, como as de Count Basie, Lionel Hampton e Duke Ellington cuja composição ''Take the A Train'' continua a fazer parte do seu repertório central.
Um fato marcante em sua carreira foi em 1947, quando adquiriu notoriedade no clube Golden Peacock, em Houston, quando substituiu inesperadamente o famoso T-Bone Walker no palco que este abandonara por uma súbita indisposição. Reportam as histórias que T-Bone Walker ficou zangado com a ''usurpação juvenil'' Clarence brindou o sucesso com a sua composição ''Gatemouth Boogie'', e a verdade é que o público deixou no palco uma quantia de seiscentos dolares como prêmio. De imediato, Don Robey, o dono do clube, propôs a Clarence orientar a sua carreira fazendo-o gravar na sua própria marca Peacock e, mais tarde, organizando-lhe excursões pelo Sul e Sudoeste dos Estados Unidos encabeçando uma orquestra de vinte e três músicos.
A relação de Clarence Brown e do seu primeiro empresário Don Robey durou até 1960, tendo constituído, entretanto, na década de 50, uma afirmação do estilo peculiar do músico caracterizado por tórridos temas instrumentais que marcaram o período do pós-guerra dos blues do Texas. Os anos 60 não foram dos melhores para Clarence 'Gatemouth' Brown, estabelecendo-se em Nashville, os discos de country que aqui gravou não tiveram a notoriedade desejada, muito embora tivesse participado no famoso programa de televisão The Beat apresentado pelo não menos famoso Dj de rádio Bill 'Hoss' Allen.
A lacuna iria ser quebrada a partir de 1971 quando se apresentou na Europa, primeiro na França, com enorme sucesso, dando assim origem a permanentes excursões pelo Velho Continente e lá deixando nove discos gravados. Este material havia de ser reeditado mais tarde nos Estados Unidos pela Alligator de Bruce Iglauer sob o título de ''Pressure Cooker'', fazendo ser-lhe atribuído a nomeação para o prêmio Grammy de melhor gravação de blues de 1986.
É também ao longo dos anos 70 que Clarence 'Gatemouth' Brown se torna no porta voz da música americana participando de uma turnê patrocinada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América que o levou a países da África Oriental. Uma apresentação no Festival de Montreux, coroada de sucesso e mais uma turnê pela ex-União Soviética em 1979, consagraram Clarence 'Gatemouth' Brown.
A música refletia a sua determinação em prosseguir as coisas à sua maneira, reconstruindo a carreira. Seu valor é consagrado principalmente pelos importantes músicos que Gatemouth influenciou tais como: Albert Collins, Frank Zappa, Eric Clapton, entre vários outros.
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