BLUES - Cala-se o piano de Johnnie Johson
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quinta-feira, 28 de abril de 2005
Kiko Jozzolino<br> Especial para a Folha2 
Um dos maiores pianistas de todos os tempos, Johnnie Johnson, morreu no dia 13 de abril, em sua casa em St. Louis, nos Estados Unidos. Pianista autodidata, que para muitos foi o pai do rock'n'roll, e ainda estava em atividade aos 80 anos, nasceu em Fairmont, Virgínia Ocidental, Estados Unidos, em 1924. Johnson começou a tocar piano incentivado pela sua mãe ainda criança e sofreu a influência de jazzistas como Art Tatum, Earl ''Fatha'' Hines e Count Basie.
Ficou conhecido mundialmente quando participou do filme sobre a vida de Chuck Berry, ''Hail! Hail! Rock'n'Roll'' (1987), dirigido por Taylor Hackford, e quando participou de trabalhos ao lado de Keith Richards, dos Rolling Stones.
Durante a 2 Guerra Mundial, ele integrou o corpo de fuzileiros navais dos EUA e foi membro da banda dos Serviços Especiais. Depois da guerra, Johnnie passou a apresentar-se em clubes de Chicago, como integrante das bandas de blues de Muddy Waters e Albert King.
O acompanhamento brincalhão e ritmado de Johnnie Johnson, que deixava transparecer a influência de Count Basie, enriqueceu sucessos posteriores de Chuck Berry que agradavam sobretudo ao público adolescente e jovem, como ''Sweet Little Sixteen'', ''School Days'', ''Roll Over Beethoven'', ''No Particular Place to Go'' e ''Johnny B. Goode''.
Trabalhou ao lado de Chuck Berry por 28 anos que, aliás, compôs 'Johnny B. Goode', em homenagem ao pianista, principal arranjador de suas canções. A dupla influenciou o trabalho de artistas como os Rolling Stones, Beatles e Bob Dylan e vários outros dessa época.
Johnnie Johnson possui quatro álbuns em sua discografia-solo. São eles: ''Blue Hand Johnnie'' (1987), ''Johnnie B. Bad'' (1992), ''That'll Work'' (1993) e ''Johnnie Be Back'' (1995).
Johnson sempre atribuiu seu talento a Deus e ao incentivo da mãe. Em 1995, deu a seguinte declaração à revista Billboard: ''Eu posso ouvir algo e guardar em minha mente chegar perto de um piano, então, transfiro tudo para ele. Acho isso um dom divino, a habilidade de transferir sentimentos para o piano.''
Chuck Berry foi contratado, a 30 de dezembro de 1952, para tocar na banda de Johnnie Johnson, Sir John's Trio, para substituir um dos membros que tinha adoecido. Desde de lá ficaram amigos e, até hoje, Johnnie Johnson colaborava com Chuck Berry. ''Johnny B. Goode'' é, de fato, Johnnie Johnson .
Verdadeiros ''clássicos do rock'' como ''Rock and Roll Music'', ''Route 66'', ''I'm Talking About You'' e ''Jonnhy B. Good'', que têm a assinatura e a gravação original de Chuck Berry, receberam a contribuição do piano Johnnie Johnson. No baixo acústico nada menos do que Willie Dixon e o incrível baterista Eddie Hardy.
Chuck Berry e Johnnie Johnson se separaram em 1973, mas se reencontraram em 1986, no concerto que marcou o 60º aniversário de Berry, em St. Louis, uma ocasião registrada no documentário de Taylor Hackford ''Hail! Hail! Rock'n'Roll''. No início dos anos 1990, o pianista gravou dois álbuns bem recebidos na série American Explorer, da Elektra.
Johnnie Johnson fazia as músicas no piano e Berry as adaptava para as guitarras e escrevia as letras, a parceria dele com Chuck Berry definiu os primórdios do rock and roll.
O lendário pianista fez parte da banda de Eric Clapton nos shows no Royal Albert Hall anos 90 e pode ser conferido na ''Blues Night'' do Vídeo/DVD e cd ''24 Nights''.
Em 2001, Johnnie Johnson entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll. Em novembro de 2001 ele moveu uma ação contra Chuck Berry, pedindo uma parcela dos royalties de composição recebidos por seu antigo colega de banda. A ação acabou sendo arquivada. Johnson deixa sua esposa, Frances, e dez filhos.
O piano de Johnnie Johnson se cala mas não morre, sua obra está muito viva e sua história se confunde com a própria historia da música mundial, seja no blues, jazz, ou no rock.
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