BLUES - A marcante presença de Eddie C. Campbell
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quinta-feira, 26 de agosto de 2004
Kiko Jozzolino<br> Especial para a Folha2 
Eddie C. Campbell nasceu em 1939 na cidade de Duncan, Mississipi. Como muitos outros de sua geração, mudou-se de lá para Chicago quando tinha apenas seis anos de idade. Aos oito anos ganhou uma guitarra de sua mãe e passou a assistir pela janela aos ensaios de Muddy Waters no 1125 Club, que ficava na Rua Madison, perto de sua casa.
No final da década de cinquenta, Eddie e seu grupo serviram como banda de apoio para Percy Mayfield, Lowell Fulson e Little Johnny Taylor. Nesse período, tocou regularmente com Little Walter, Muddy Waters, Howlin Wolf, Otis Rush, Might Joe Young, dentre outros. Foi nessa época também que se tornou grande amigo de Magic Sam, que era seu vizinho e lhe deu várias dicas sobre o blues.
De 1963 até 1976 Eddie foi o principal músico da banda de Jimmy Reed, e após a morte deste em 1976 passou a trabalhar com Koko Taylor, que tempos depois o indicou para fazer parte da famosa banda de Willie Dixon, a Willie Dixon's Chicago Blues All Stars. Durante esse período gravou o seu disco mais conhecido: ''King of the Jungle''. Eddie tocou com Jimmy Hendrix no Speak Easy de Chicago no ano de 1968, onde Grateful Dead gravou uma canção dele e que ninguém cogitou de lhe pagar por isso.
Em 1984 mudou-se para a Inglaterra, passou depois um tempo na Holanda (onde gravou o disco Let's Pick It) e finalmente estabeleceu-se na Alemanha, onde morou por quinze anos.
Em 1992 voltou para Chicago, onde permanece até hoje. É casado com uma inglesa (da família de Sigmund Freud) e tem dois filhos, um menino e uma menina.
Esta é, portanto, a trajetória resumida desta lenda viva. Feitas as devidas apresentações iniciais, resta saber como e quando começou essa história da passagem de Eddie Campbell por São Paulo.
Tudo começou quando Sérgio Lago (Gerente Geral do SESC de Ribeirão Preto) e Silvio Alemão (baixista da banda Irmandade do Blues e Curador do Festival do SESC) resolveram trazer Eddie C. Campbell para participar do Festival SESC in Blues em Ribeirão Preto e Santo André.
A banda de Campbell foi montada com Silvio Alemão no baixo, Adrian Flores na bateria (este também é argentino) e o guitarrista gaúcho Solon Fishbone. A banda fez três apresentações no Estado de São Paulo, todas com ingressos esgotados. A primeira foi para mil pessoas em Bauru na sexta-feira 13 e foi uma apresentação à parte, destacada do festival. No sábado, dia 14, já dentro da programação do festival do SESC, Eddie Campbell e banda se apresentaram no SESC de Ribeirão Preto para duas mil pessoas e no dia 15, no domingo, o show foi no SESC de Santo André para cerca de trezentos e cinquenta pessoas.
Eles saíram à noite para assistir a um pouco de música brasileira, mas acabaram parando no Bourboun Street. Eddie gostou muito da casa e é bem possível que toque lá no ano que vem. Convidaram-no para participar de uma super jam no Estúdio no Cake Walking e ele prontamente aceitou.
A turma chegou por lá às 20h30, rolou um papo durante cerca de quarenta minutos e depois de algumas biritas a galera entrou no estúdio. Eddie sentou praticamente no meio do estúdio, plugou sua guitarra num Fender Blues Junior e começou a tocar livremente por diversão. Todos começaram a seguir o mestre que já estava tocando um boogie em lá maior. Nesse instante uma certa euforia discreta pintou no ar. Climas como All of Your Love, de Magic Sam foi só um aperitivo para o que ainda ia rolar.
Participaram desta jam músicos como Ricardo Corte Real (guitarra), o Marcos Ottaviano (guitarra), o Robson Fernandes (gaita), Isal de Oliveira (baixo); e o guitarrista Edu Gomes (que é um dos donos do Cake Walking), o Mário Fabre (batera que já esteve em Londrina com André Christovam), o Adriano Grinenberg (órgão e piano) e Sandro Grinenberg (bateria). No ano que vem, em junho, ele vai ser uma das estrelas do Chicago Blues Festival.
De tudo que aconteceu na semana passada, o que mais impressionou as pessoas que tiveram contato com ele, foi a simplicidade, humildade e a naturalidade como ele encara a vida e as pessoas.
Eddie não tem frescuras, nem estrelismos. Os verdadeiros homens do blues não precisam de pose, maior exemplo disso foi quando B. B. King esteve no Brasil, sem máscaras me recebeu na maior simpatia, um mito, uma lenda viva que talvez não imagine a dimensão e sua importância na historia da música.
Isso sim é o blues ...
Kiko jozzolino @ folhaweb.com.br


