BLUES - A majestade do som
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de janeiro de 2004
Kiko Jozzolino<br> Especial para a Folha2 
Desde que começou a gravar, no fim dos anos 40, já editou mais de 50 álbuns, muitos deles considerados clássicos dos blues, como é o caso de ''Live at the Regal'' (1965) e ''Together for the first time'' (1976), em colaboração com Bobby ''Blue'' Band.
Riley B. King nasceu em 16 de Setembro de 1925, numa plantação de algodão do Mississipi, nos arredores de Indianola (E.U.A.). O responsável por introduzir King no mundo artístico foi seu primo Bukka White, guitarrista de blues profissional em Memphis em meados da década de 40. King começou a tocar a troco de algumas moedas, na esquina da Igreja com a Second Street e chegou mesmo a se apresentar em quatro cidades diferentes aos sábados à noite.
Com a sua guitarra e US$ 2,5 no bolso, partiu à boleia para Memphis - Tennessee, em 1947, em busca de uma carreira musical. Memphis, cidade onde se cruzavam todos os músicos importantes do Sul, sustentava uma vasta e competitiva comunidade musical em que todos os estilos musicais negros eram ouvidos.
A primeira grande oportunidade da sua carreira surgiu em 1948, quando atuou no programa de rádio de Sonny Boy Wiliamson, na estação KWEM, de Memphis. Sucederam-se atuações fixas no ''Grill'' da Sixteenth Avenue e mais tarde um spot publicitário de dez minutos na estação radiofônica WDIA, com uma equipe e direção exclusivamente negras. ''King's Sport'', patrocinado por um técnico, tornou-se de tal forma popular que aumentou o tempo de antena e se transformou no ''Sepia Swing Club''. King precisou em breve de um nome artístico sonante para a Rádio.
Aquilo que começou por ser ''Beale Street Blues'' foi abreviado para ''Blues Boy King'' e eventualmente para B. B. KING. Por mera coincidência, o nome de King já incluía a simples inicial ''B'', que não correspondia a qualquer abreviatura.
Nos anos 50, quando tocava numa localidade do Arkansas, dois elementos do público lutaram, derrubando um aquecedor a gás e incendiando o recinto. B. B. King fugiu juntamente com o público, mas quando se apercebeu que tinha deixado a guitarra de 30 dólares no interior, voltou e escapou da morte por um triz. Quando mais tarde veio a saber que o motivo da briga tinha sido uma mulher chamada Lucille, decidiu dar esse nome à guitarra. Desde então todas as suas guitarras se têm chamado ''Lucille''.
Pouco depois do seu êxito ''Three O'clock Blues'', em 1951, B.B.King começou a fazer digressões nacionais sem parar, atingindo uma média de 275 concerto por ano. Só em 1956 B.B. King e banda fizeram 342 concertos. Dos pequenos cafés, teatros de ''ghetto'', salões de dança, clubes de jazz e de rock, grandes hotéis e recintos para concertos sinfônicos aos mais prestigiados recintos nacionais e internacionais, B.B. KING depressa se tornou o mais conceituado músico de Blues dos últimos 40 anos, desenvolvendo um dos mais prontamente identificáveis estilos musicais de guitarra, a nível mundial.
Seu estilo foi inspirador para muitos guitarristas de rock Mike Bloomfield, Albert Collins, Buddy Guy, Freddy King, Jimi Hendrix, Otis Rush, Johnny Winter, Albert King, Eric Clapton, George Harrison e Jeff Beck foram apenas alguns dos que seguiram sua técnica como modelo.
Ao longo dos anos tem sido agraciado com diversos ''Grammy Awards'' e mostra em seus shows, até hoje, toda sua vitalidade. O lendário guitarrista B. B. King vai se apresentar em São Paulo em março de 2004, como parte das comemorações dos dez anos do Bourbon Street. B. B. King é considerado padrinho da casa, que foi inaugurada no dia 13 de dezembro de 1993 com um show do rei do blues. A assessoria do Bourbon Street não confirmou ainda quantos shows o bluesman fará na casa.
Kiko Jozzolino é guitarrista de blues e colaborador da Folha de Londrina
[email protected]


