No ano que vem, o Blue-Up comemora uma década de existência. É muito para uma cidade como Londrina em que bandas nascem e desaparecem com a troca de calendário. E não é pouca coisa, também, por se tratar de uma adepta de um gênero fora de moda e com pouco público na cidade.
Blue-Up já foi quinteto, quarteto, trio, banda de um homem só e virou duo. É com essa formação que a banda gravou seu primeiro CD e cujo show de lançamento acontece hoje a partir de 22h30 no Bar Beco (Av. Higienópolis, 1.600). O disco, gravado e mixado em estúdio caseiro, traz oito faixas cantadas em inglês. A capinha traz apenas o nome do grupo em branco sobre um fundo preto.
As músicas ecoam o blues de raiz, filão que eles praticam há anos no circuito de bares reinterpretando clássicos dos mestres. O disco, entretanto, só contém composições de própria lavra. ‘‘O repertório é quase todo acústico. A estrutura básica das músicas segue o blues tradicional, mas há detalhes que se apresentam mais modernos do que muito do que se ouve por aí entre as bandas brasileiras’’ - diz Alcides Caminhoto Junior, remanescente da formação original.
No CD, ele assina todas as composições e se mostra versátil tocando violão, guitarra, slide, piano, contrabaixo, bateria e sintetizador. O vocalista Marcelo Luís Mendonça, que entrou para o grupo este ano, completa o duo tocando harmônica. O músico Guto Caminhoto, irmão de Junior, participa do trabalho tocando guitarra na faixa ‘‘Blue-Up’’, que se distingue das demais pelo instrumental jazzístico.
Guto também participa do show de hoje, cujo repertório será dividido entre as composições do disco, algumas canções inéditas e versões de clássicos ainda não apresentadas para seu público. Entre as inéditas, a novidade é a adoção do português nas letras.
Com quase dez anos na batalha, seria improvável que a banda não contasse com fiéis seguidores. No caso, seu público foi formado em grande parte na temporada 95-96, período em que a banda foi contratada para animar noitadas semanais em duas casas da cidade.
‘‘Mas agora estamos preferindo tocar menos para valorizar o trabalho, e também porque o cachê anda muito baixo’’ - observam os integrantes. O CD, que está saindo dos fornos com uma tiragem de mil cópias, foi produzido pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, da Prefeitura de Londrina, e com apoio do Estacionamento Grande Parada. Estará à venda a R$ 10,00.
Com os recursos obtidos com essa primeira promoção, o grupo planeja fazer a divulgação nas capitais. ‘‘O mercado do blues está se abrindo no Brasil’’ - afirmam eles, apontando como provas o surgimento da gravadora carioca Top Cat Brasil (especializada em blues) e uma suposta movimentação de bandas do gênero em Curitiba.

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