Agência Estado
Morreu hoje, às 7 horas, em São Paulo o radialista e jornalista José Blota Júnior, aos 79 anos. Ele estava internado desde o dia 29 no Hospital Sírio-Libanês, onde era tratado por uma hematologista. Blota Júnior foi um dos mais conhecidos radialistas de São Paulo, trabalhando em rádio, TV e jornal.
Esteve mais de 60 anos exercendo a profissão, que começou aos 12 anos, no jornal ‘‘Correio d’Oeste’’, em Ribeirão Bonito. Em São Paulo, começou no jornal ‘‘O Esporte’’, no qual assinava as reportagens com o codinome Joe Palito. Depois, passou para a Rádio Cosmos e, em seguida, foi para a Record, onde pisou pela primeira vez em 10 de julho de 1943.
‘‘Naquele tempo, havia também campeonatos populares de boxe, bola ao cesto e outros, bem como a São Silvestre’’, lembrava Blota Júnior. Foi levado para a televisão pelo empresário Paulo Machado de Carvalho, mostrando versatilidade ao participar de programas de auditório e de entrevistas e festivais de música. Costumava dizer que era um ‘‘crítico literário frustrado’’.
Nos anos 40, fez comerciais para a Nescau e casou-se com Sônia Ribeiro, com quem dividia o palco no programa ‘‘Escola Risonha e Franca’’. Em 1946, eles foram fazer A Voz da América nos Estados Unidos. Com ela, teve três filhos: Sônia Angela, José Blota e José Francisco, mais conhecido como ‘‘Quico’’, que se tornaria sócio do jornalista Luciano do Valle. Sônia morreu de câncer em 1987.
A política veio naturalmente. Foi eleito pelo antigo Partido Social Progressista (PSP) como deputado estadual por três ocasiões: em 1954, 1962 e 1966 (agora, pela Arena, tendo sido o deputado mais votado). Em 1975, foi eleito deputado federal. Também foi secretário de Comunicações no governo Paulo Maluf no Estado.
‘‘A política é como a juventude’’, definiu. ‘‘Uma doença que passa em pouco tempo; estou definitivamente curado’’, ponderou, ao sair da Rede Record de Televisão, em 1986. Foi para a Rede Bandeirantes, mas deixava bons amigos na antiga emissora. ‘‘Eu não gostaria de deixar a televisão pela porta do esquecimento’’, afirmou. ‘‘Preciso provar a mim mesmo que ainda posso fazer algo de bom na televisão.’’
Na adolescência, Blota Júnior ambicionava a carreira diplomática, tanto que a primeira coisa que fez ao se mudar para São Paulo foi ingressar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Mas teve de interromper o curso, que retomou em 1949. Advogou durante 12 anos.

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