Depois de passar por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, o Black Sabbath se despede do público brasileiro com uma última apresentação, hoje, no estádio Gigantinho, em Belo Horizonte.
Mais uma vez a banda irá emocionar milhares de fãs com alguns dos maiores clássicos, como "War Pigs" e "Iron Man", além de canções do álbum "13", recém lançado mundialmente.
"Memorável", "sensacional", "épico". São alguns dos adjetivos usados nos últimos dias por aqueles que descrevem a experiência de ter assistido a uma das apresentações da turnê "Reunion", para a qual Ozzy Osbourne, Tommy Iommi e Geezer Bluter - integrantes da formação original do Black Sabbath, se reuniram para tocar juntos depois de 35 anos. A exceção é o baterista Bil Ward, que não participa da turnê e, para os shows, é substituído por Tommy Clufetos.
A reportagem da FOLHA viu de perto a apresentação do grupo que teve o maior público no Brasil. Na última sexta-feira, mais de 70 mil pessoas vibraram ao som do Black Sabbath no aeroporto Campo de Marte, em São Paulo.
Mas antes dos pais do heavy metal entrarem em cena, foi a vez dos "filhos". O Megadeth caracteriza bem a evolução do estilo que o Sabbath deu origem no final dos anos 1960: o som pesado, agressivo, com letras que fazem críticas à sociedade e falam sobre algumas realidades que nem todos gostam de ouvir - guerras, destruição, a morte.
Foi com uma apresentação bem pesada que o Megadeth abriu a noite. O líder e principal fundador, Dave Mustaine, ainda mantém a garganta calibrada para a voz singularmente rasgada. Ele e David Ellefson (baixo), Chris Broderick (guitarra) e Shawn Drover (bateria) demonstraram que o Metal ainda respira e tem muita energia.
No show com menos de uma hora a banda levantou o público com clássicos como "Hangar 18", "Symphony of Destruction" e "Holly Wars". Destaque também para o capricho na parte visual do show, já que para cada música os telões exibiam clips exclusivos, recebendo também a inclusão de imagens ao vivo dos integrantes da banda.
Com o público aquecido pelo Megadeth, as sirenes de emergência anunciaram o que muitos fãs sonhavam há anos. Bastaram os primeiros acordes de War Pigs para notar a comoção geral. Dando uma olhada rápida em volta, era possível notar gente gritando alucinadamente, outros chorando como criança e até quem simplesmente ficou sem reação, com olhos arregalados e boca aberta. Claro, depois todos pularam muito, fazendo com a mão o símbolo universal do Heavy Metal.
Também cantaram em coro praticamente todas músicas do setlist, não apenas as letras, mas o tradicional "ooô" ao acompanhar os riffs mais marcantes da guitarra de Tomy Iommi.
Mais conhecido popularmente como o velhinho roqueiro lesado, Ozzy Osbourne é, na verdade, um grande "show man" e sabe exatamente como empolgar uma plateia. É claro que somente os clássicos do Black Sabbath já são suficiente para empolgar, mas Ozzy sempre quer mais do público. No intervalo de várias músicas, pedia mais coro, e fazia com a mão como se não ouvisse. Como sempre, repetindo: "let me hear you" e "louder".
A massa respondia cada vez com mais força e delirava ao som de outras canções marcantes, como Snowblind e uma sequência de clássicos do primeiro álbum, a música intitulada "Black Sabbath", depois "Behind the wall of sleep" e a mais famosa do disco "N.I.B.".
Durante a execução de "End of the beginning" foi possível notar como o público realmente está satisfeito com o último álbum lançado pela banda, já que, mesmo a canção não sendo considerada um clássico, teve a letra cantada por muita gente.
Um dos momentos marcantes também foi o solo de guitarra executado por Tommy Iommi, digno de um ícone do instrumento de seis cordas. Nessa hora é impossível esquecer que o músico vem tratando de um linfoma, espécie de câncer, mas nem por isso deixa de passar uma hora e meia no palco diante de uma multidão.
Quem também solou foi o baterista Tommy Clufetos. Além de agradar o público, permitiu que Ozzy e companhia recuperassem o fôlego. Afinal eles ainda tinham vários outros clássicos programados. Depois de Children of the Grave, Ozzy falou mais uma vez "God bless you all", mas dando a entender que essa era a despedida. O público então pediu, alguns até em inglês ("One more song") e eles atenderam, fechando a noite com a música que todo aspirante a rockeiro aprende logo cedo, "Paranoid". Agora sim, visivelmente cansados, eles deram boa noite e as luzes se apagaram.
*O repórter viajou a convite da Chevrolet

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