Apesar do cenário inóspito, o talento de artistas londrinenses negros sempre falou mais alto e se sobrepôs à discriminação racial. Enfrentando barreiras como o preconceito e a dificuldade financeira, representantes de várias vertentes conseguiram destaques em suas áreas de atuação.
O artista plástico Agenor Evangelista é um desses exemplos. Com quadros premiados e vendidos para diversos países como França, Suíça, Estados Unidos, Alemanha e Japão, ele lembra das dificuldades do início de carreira e diz que ainda hoje existe uma discriminação velada. "Promovo a Mostra Afro-Brasileira que este ano chega à sua 27ª edição. O evento nunca teve patrocínio porque muita gente acha que é coisa de preto e que não tem valor cultural", diz Evangelista.
Evangelista ressalta que fora do meio artístico a discriminação é ainda maior. "Já sofri muito preconceito quando cursava arquitetura na UEL (Universidade Estadual de Londrina), mas nunca baixei minha cabeça. Por conta dessa discriminação sempre estive à frente de movimentos negros da cidade ligados à luta contra o preconceito", destaca.
Pelos anos de militância e pela representatividade do seu trabalho, Evangelista recebe no próximo dia 21 o Prêmio Zumbi dos Palmares, concedido pela Câmara de Vereadores de Londrina.

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