Bjork com seus beats e
violinos em ‘‘Homogenic’’
Guto Barra
Planet Pop-AE

Reprodução
Bjork: sofisticação artística Ela está em melhor forma vocaldo que nuncaBjork acaba de fazer em Nova York os primeiros shows de sua turnê ‘‘Homogenic’’. A cantora se apresentou segunda-feira na cidade, acompanhada de um octeto de cordas e de seu produtor e tecladista Mark Bell, conseguindo superar a sonoridade techno-orquestral de seu disco. De quebra, ela ainda mostrou estar em melhor forma vocal do que nunca.
Bjork atingiu um impressionante nível de sofisticação artística. A demora para realizar a versão ao vivo das faixas de ‘‘Homogenic’’ - a turnê foi cancelada no fim do ano por problemas de saúde e uma outra, com o Radiohead, por problemas técnicos - serviu para amadurecer ainda mais o trabalho. Boa parte do terceiro disco da cantora islandesa é excelente, mostrando uma mistura inédita de beats pesados com delicados violinos e cellos - e nada mais. Os arranjos escritos pelo brasileiro Eumir Deodato casam com perfeição com toda a programação eletrônica concebida por Bjork e Mark Bell.
No palco, ela consegue amplificar o efeito desses arranjos, sobrepondo camadas sonoras com uma mixagem perfeita. Em um vestido de couro branco com asas plissadas, Bjork domina o palco no show que tem menos momentos dançantes do que a apresentação que ela fez no Brasil, em 1996. A cantora atinge com facilidade todos os agudos de suas melodias complexas, sem ficar eclipsada pelos violinos em momento algum.
É na versão ao vivo que se pode entender ainda mais a dimensão do trabalho de Bjork, concebido para ser ouvido alto e em um sistema de som poderoso. No show ganham destaques as belas frases melódicas escritas por ela, como as de ‘‘Jóga’’ e ‘‘Bachelorette’’, além dos beats de ‘‘Hunter’’ e ‘‘5 Years’’.
Os hits antigos voltam em versões já conhecidas dos fãs. Depois de lançar tantos remixes diferentes de suas músicas é compreensível que ela não queira trabalhar em novas produções para faixas como ‘‘Human Behavior’’ e ‘‘Venus as a Boy’’, do disco ‘‘Debut’’. De ‘‘Post’’, de 1995, vêm a homenagem a Elis Regina, ‘‘Isobel’’, e o hino clubber ‘‘Hyperballad’’, ambas longe de mostrar sinais de desgaste.
Na parte visual Bjork também apresenta soluções sofisticadas a partir de elementos simples. Um cenário de pano com faixas de plástico penduradas na vertical ganha textura tridimensional graças à iluminação e à ação de ventiladores. Cerca de 30 Intellabeans (projetores de luz computadorizados) funcionam no palco em coreografias sincronizadas com as músicas, iluminando também o público, em clima de rave.
‘‘Homogenic’’ é um momento importante na carreira de Bjork. Ela está mostrando que é possível elaborar a música eletrônica sem cair nos clichês exigidos pelo mercado e sem se prender ao estigma de ‘‘música para clubbers’’. Ao fazer um show em que sua performance vocal impressiona tanto que o público fica estático assistindo, ela promove a evolução de um estilo que ainda não foi repetido por nenhum artista - talvez o sonho de Madonna hoje em dia. Poucos nomes do pop atual podem se orgulhar de fazer um trabalho com tanta personalidade e domínio tecnológico.

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