BJORK, A POLIVALENTE
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segunda-feira, 29 de maio de 2000
Guto Barra Agência Estado 
Ela ganhou crédito por levar a música eletrônica underground ao mainstream, ajudou Madonna a conquistar a confiança dos DJs mais sofisticados e entrou pela porta da frente do universo fashion ao colaborar com Alexander McQueen. Mas ao ganhar a Palma de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Cannes, na França, Bjöork garantiu lugar em um novo patamar, associada ao diretor dinamarquês Lars Von Trier (um dos mentores do Dogma 95). Este ano a islandesa vai participar de um festival cultural a convite do governo da França, comandar uma sinfonia escrita especialmente para ela e terminar um novo disco inédito.
Bjöork não só se diferencia de outras cantoras aspirantes a atriz por seu talento, mas principalmente pelo fato de que escolheu um trabalho não-comercial para estrear nas telas. Dancer in the Dark, em que atua ao lado de Catherine Deneuve, é uma história sombria sobre uma imigrante checa que sonha em ser estrela de musicais de Hollywood. Von Trier, responsável por Ondas do Destino e Os Idiotas, escolheu a cantora para o papel principal depois de convocá-la para a composição da trilha sonora, que só chega ao mercado americano em setembro.
Sabia que este seria meu primeiro e último trabalho no cinema, disse ela. Depois de três meses de filmagens, estava me sentindo um peixe fora dágua: era muito do mundo das palavras e pouco do mundo da música. A relação de trabalho entre Bjöork e Von Trier não foi das mais fáceis. Dá para perceber que a coisa toda foi difícil pelo número de eufemismos que o diretor usou para falar da islandesa. Ele disse que ficou surpreso de que ela não é uma atriz. Segundo ele, a cantora sente tudo, na verdade. A experiência foi incrível, mas ao mesmo tempo dura para ela e para todos os outros, disse ele.
A cantora não deixou mesmo esperanças de que vai repetir a dose: Gostaria de ter dado bola para o filme, mas não sou mesmo uma atriz, disse ela. Depois de Cannes, Bjöork participou de outro evento bem-conceituado, a exposição La Beauté, aberta pelo presidente Jacques Chirac, na semana passada, no Palais des Papes, em Avignon. Para o evento, nomes como Phillippe Starck, David Bowie, Jeff Koons, Jean Luc Godard e David Lynch foram convidados para fazer interpretações sobre a beleza. Bjöork preparou uma instalação em conjunto com o estilista inglês Alexander McQueen e o fotógrafo Nick Knight, com quem já havia trabalhado na capa do CD Homogenic.
Depois de garantir espaço no mundo do cinema, na cena das artes e na moda, ela também não deve fazer feio ao flertar com a música clássica: ela está trabalhando na montagem de A Prayer for the Heart, que o lendário compositor John Tavener escreveu especialmente para ela. Considerado o mais importante compositor clássico vivo na Inglaterra (que teve suas músicas executadas no enterro da princesa Diana), ele está supervisionando a montagem do trabalho com Bjöork, que vai contar com a participação de uma orquestra e um coro e deve ser exibida em nove cidades européias.
Mas os fãs do lado pop/eletrônico não precisam se preocupar. Além do lançamento de uma caixa de CD singles de toda a carreira-solo da cantora, já há planos para um novo disco de estúdio, que deve estar pronto no início de 2001. Bjöork estaria animada para fazer uma nova turnê mundial, mas sempre em pequenos clubes. Até lá, os fanáticos também podem matar as saudades com uma colaboração entre a cantora e o vocalista do Radiohead, Thom Yorke, que ainda não tem data de lançamento definida.


