Apesar das divergências históricas e das polêmicas que causou mundo afora, o filme não chega a ser um relato infeliz e inconsequente. As cenas de batalha são impressionantes, principalmente a luta contra o exército dos elefantes. Porém, o longa peca em pontos primordiais: é difícil acreditar em uma história sobre civilizações gregas falada em inglês. O sotaque de Angelina Jolie irrita em certos momentos, e Colin Farrel, talvez por ser muito novo, não consegue encarnar o papel de mito.
Já a sexualidade de Alexandre, que causou tanto constrangimento, não pode ser dissociada da história. Que os americanos achem absurdo que o imperador gostasse de meninos e meninas é perfeitamente compreensível, principalmente em tempos de George W. Bush. Estranha foi a reação dos gregos, que rejeitaram a postura sexual e sentimental do personagem representadas no filme de Oliver Stone. Vale lembrar que um dos aspectos mais disseminados da cultura grega pelos historiadores contemporâneos é acerca da bissexualidade dos gregos da Antiguidade. A posição inferiorizada da mulher naquela sociedade fazia com que os homens as procurassem apenas para a procriação.

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