Biógrafo diz que Louis Armstrong não se via como mito do jazz
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de janeiro de 2011
Felipe Branco Cruz <BR>Agência Estado 
São Paulo - O jornalista Terry Teachout, crítico de teatro do ''Wall Street Journal'', teve acesso a um precioso material: 360 rolos de fitas gravados por Louis Armstrong. ''Um verdadeiro tesouro'', disse o autor à reportagem. Nas fitas, muita música e também declarações do próprio Armstrong falando de sua vida, de forma sincera e aberta.
O resultado da análise desse material é a biografia ''Pops - A Vida de Louis Armstrong'', uma das mais completas já feitas sobre o músico, morto em 1971. ''Eu sabia a respeito da existência dessas fitas, mas nunca tinha as escutado. Foi uma das coisas mais excitantes de toda a minha carreira''. O título do livro, segundo o autor, foi escolhido porque Pops era o apelido preferido do trompetista, ao invés de Satchmo, como era conhecido.
Mas o livro contém mais do que isso. O jornalista analisou boa parte de tudo o que foi publicado sobre Armstrong, à disposição em bibliotecas, museus e arquivos de jornais e revistas, além dos vídeos transmitidos na TV e os áudios das rádios. Entrevistas com parentes ou pessoas que tiveram contato com o músico não foram possíveis porque a maioria já morreu. ''Armstrong foi um dos músicos mais influentes do século 20'', afirma o autor. ''Ele também foi o músico de jazz mais popular que já viveu. O primeiro a ser amplamente conhecido pelo público''.
Catador de lixo
Na obra, o autor mostra como um músico que nasceu pobre, em 1901, e foi abandonado pelo pai e filho de mãe prostituta, conseguiu sair da sarjeta com a música. Antes de descobrir o jazz, Armstrong catou lixo e, aos 11 anos, foi preso por dar um tiro na noite de ano novo. No reformatório, ele ganhou uma corneta e, antes dos 21 anos, já tocava numa banda de jazz em Chicago. O resto já faz parte da história da música mundial.
Seu sorriso largo e farto, e, claro, absoluto talento com o trompete, o colocaram no panteão dos grandes músicos. ''Se Armstrong não se tornasse um músico, ele provavelmente acabaria na cadeia ou na forca. Pode ser um exagero, mas não muito longe da verdade'', diz o autor. ''Ele nasceu no pior lugar que uma criança poderia estar e facilmente poderia ter se transformado em um ladrãozinho. A música deu sentido à sua vida''. Outros pontos menos nobres da biografia de Armstrong também são abordados. O músico fumava maconha regularmente e chegou a trabalhar para o gângster Al Capone.
''Ele fumava maconha mas não era viciado. Ele preferia o álcool, mas parou de beber a pedido do médico, alguns anos antes de morrer'', afirma o autor, que é ferrenho defensor do Armstrong. ''Ele não se via como um mito. Ele era genuinamente um cara modesto''.
SERVIÇO
''Pops - A Vida de Louis Armstrong''
Larousse
Preço: R$ 69,90


