Biografia mostra Tezuka e seus mangás
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de agosto de 2003
Diego Assis<br> Agência Folha 
Conhecido no Japão como ''manga no kamisama'' (o deus dos quadrinhos), Osamu Tezuka (1928-89) deixou sua ''bíblia'' de mais de 150 mil páginas de mangás e 60 filmes de animação para um povo que, hoje, produz, consome e exporta mais quadrinhos do que qualquer outro no mundo.
A partir de publicações autobiográficas como ''As Palavras que me Construíram'' (1970) e de uma série de rascunhos realizados pelo artista desde a sua infância, seus antigos companheiros de estúdio realizaram este ''Osamu Tezuka - Uma Biografia Mangá'', homenagem póstuma ao autor e criador de clássicos como ''Astro Boy'' e ''A Princesa e o Cavaleiro''.
Narrada por Toshio Ban, velhote bigodudo e amigo de Tezuka, a biografia será publicada pela Conrad em três volumes.
Infância
No primeiro, que acaba de chegar às livrarias, somos apresentados ao universo infantil do autor, no período entre 1928 e 1945: seus primeiros contatos com os ''aka-hon'' (livretos de mangá baratos, semelhantes aos cordéis do Nordeste brasileiro), seu interesse por astronomia, suas coleções de insetos e, claro, sua paixão por contar e desenhar histórias.
''Ele usava os seus desenhos para passar suas mensagens, de forma simples e direta'', diz a pesquisadora Sonia Luyten, autora do livro ''Mangá: o Poder do Quadrinho Japonês''. ''Desde os olhos grandes, até a estrutura das histórias, Tezuka foi muito influenciado por Disney.''
De uma infância em meio às brincadeiras de criança e aos incentivos dos professores para que levasse adiante suas histórias, Tezuka viu as coisas mudarem com a Segunda Guerra (1939-1945). Mudam também as páginas e cores (ou melhor, os tons de cinza) de ''Osamu Tezuka - Uma Biografia Mangá'': ''Além das bombas normais, os B29 lançavam bombas incendiárias, chamadas ''Cestos de Pão do Molotov'. Quando uma delas estava caindo por perto ouvia-se o som parecido com o da chuva'', escreve.
Em mangás subsequentes, o quadrinista ofereceu um vasto material com suas impressões sobre a guerra e o ocidente, incluindo ''A Fortaleza de Papel'', ''Recados para Adolf'' e ''O Homem que Destruiu o Mundo''.
''Depois da (Segunda) Guerra, os japoneses passaram a ter uma relação de amor e ódio com os EUA. Com a presença deles na reconstrução do país, os japoneses engoliram o ódio e até aprenderam algumas coisas'', diz Luyten. ''O que eles sempre fizeram foi idealizar um Ocidente que não era exatamente real, era uma mistura das características progressistas das grandes capitais com o aconchego da cultura japonesa. (A obra de 1949) ''Metrópolis' é um bom exemplo disso.''
Serviço:
''Osamu Tezuka - uma biografia mangá''. Autores: Toshio Ban e Tezuka Productions. Editora: Conrad. Quanto: R$ 34 (208 págs.)


