Uma polêmica foi desencadeada na França em torno de um projeto de biografia de Alain Delon, uma das maiores estrelas do cinema francês, após a proibição pela Justiça, decidida na última quarta-feira a pedido do ator, da publicação do livro que ainda não foi escrito.
A Justiça proibiu provisoriamente o jornalista Bernard Violet de publicar a biografia de Delon, pela editora Grasset, após ter lido uma sinopse de 18 páginas, argumentando ‘‘a gravidade das violações à intimidade da vida particular e à reputação’’ do ator.
Em seu plano de trabalho, cujo conteúdo foi divulgado ao ator pelo editor, Violet, incluía realizar investigações sobre a infância de Delon e suas atividades como empresário. Apesar da proibição sem precedentes, o ator reagiu enfurecidamente, denunciando um ‘‘projeto de demolição, baseado em uma vontade de arrastar alguém para a lama’’.
‘‘Vocês devem imaginar que aos 62 anos de idade e 40 de profissão não me importa nem um pouco se querem escrever porcarias sobre mim. Mas meus filos estão aí. Anuchka lê muito e eu não permitirei que ninguém (...) esfregue em sua cara qualquer mentira sobre o pai’’, declarou Delon.
Autor das biografias do comandante Cousteau e do terrorista venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como Carlos, Violet declarou sua surpresa ante a decisão de seu editor de mostrar ao ator a sinopse do livro sem consultá-lo antes. O jornalista considerou as declarações de Delon como ‘‘grosseiras e insultantes’’ e anunciou que processará o ator, apelando para a censura prévia do livro que havia pensado escrever.
Segundo Violet, se o ator ‘‘reage de forma tão violenta, é porque deve ter algo a esconder’’. O caso será novamente examinado no próximo 14 de outubro e até esta data o tribunal proibiu Violet de publicar ou fazer publicar total ou parcialmente a sinopse de seu livro, bem como toda a obra extraída da sinopse, sob a pena de uma multa de 30 mil francos (5 mil dólares).

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