Biografia de Délio Cesar é lançada em Londrina
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quinta-feira, 07 de abril de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Considerado morto logo após seu nascimento, já embrulhado pela parteira em trapos e folhas de jornal, Délio Cesar deu seu primeiro choro. "A vinda ao mundo dessa forma foi um sinal do que ele estava predestinado: o ofício de jornalista", conta o irmão mais novo, Lélio Cesar, que lança hoje a biografia "Cidadão Délio Semeador". O ocorrido se deu na cidadezinha de Alegre, no Espírito Santo, em 8 de abril de 1939, há exatos 77 anos. "É uma maneira de celebrarmos seu aniversário, ainda que não esteja mais entre nós. Era para o livro ser uma surpresa para ele, mas não deu tempo", diz o irmão, relembrando a morte de Délio, há pouco mais de um ano. Morte esta que ocorreu meses antes do fechamento do Jornal de Londrina, em dezembro último, o maior sonho realizado do jornalista. "Felizmente, ele não teve esse desgosto", comenta Lélio.
Estas e outras tantas memórias e acontecimentos que vão do nascimento à morte - estão na obra que resgata a trajetória do jornalista, político, advogado e empreendedor cultural que viveu a maior parte da vida em Londrina, onde deixou importante legado para o jornalismo, a política e a cultura. "Mas também conta a história do Délio filho, irmão, pai e amigo, que era muito generoso e amoroso", acrescenta.
O lançamento ocorre às 19h30, na Central de Decorados Plaenge, e deve reunir vários admiradores e "focas" (jornalista em início de carreira) do Délio. "Meu irmão 'formou' muitos jornalistas de Londrina; muita gente boa que exerceu e exerce a profissão com ética", lembra Lélio.
AUDÁCIA EM PESSOA
A família chegou a Londrina em 1954. Cinco anos depois, o jovem cheio de aspirações (e que já se apresentava na Rádio Londrina) foi estudar jornalismo em São Paulo. Lá, conheceu movimentos e partidos comunistas, escreveu para uma editora clandestina, foi preso depois de pichar a Embaixada Americana, conviveu com artistas de teatro, foi cicerone de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir em um congresso, e desistiu do curso de jornalismo. Tudo em cerca de dois anos. "Ele era irrequieto; fazia muita coisa ao mesmo tempo que ficamos sabendo só depois. A prisão mesmo foi pela foto no jornal."
Voltou a Londrina em 1961, e não demorou a atrair olhares e ser convidado a assumir a chefia de redação de uma sucursal do jornal "Última Hora" - fechado em 1964 pelo Golpe Militar.
Depois disso, ingressou no curso de Direito, onde criou os Jogos Universitários que, em 1968, teve ainda a primeira edição do Festival Universitário de Londrina, o embrião do atual Festival Internacional de Londrina (Filo). "Esta foi a segunda atividade de peso que realizou na cidade; uma verdadeira revolução cultural em Londrina", afirma Lélio.
Em meio a isso, foi candidato a vereador, começou a advogar e, em 1969, foi convidado para assumir a chefia do departamento de Telejornalismo da TV Tibagi, de Paulo Pimentel. Saiu da TV para encabeçar um projeto que, à primeira vista, tinha tudo para dar certo. "O Jornal Panorama trouxe grandes nomes do jornalismo brasileiro a Londrina. Mas, por diferentes convicções entre os profissionais, não durou muito tempo."
Integrante da Central Geral dos Desempregados (CGD), como chamava ironicamente, lançou-se no marketing, sobretudo político. Da criação, foi parar no gabinete da prefeitura, como vice na gestão de Wilson Moreira. Acabado o mandato, em 1988, voltou ao jornalismo e ainda mais audacioso. "Era hora de Londrina ter um segundo jornal impresso diário, ele dizia."
Junto com Luiz Carlos Lorencetti, o Chuveirão, Délio conseguiu convencer vários empresários a apoiarem a ideia e nascia, assim, o JL. "Foi um dos seus maiores sonhos que conseguiu realizar." Com 66 acionistas, o jornal veio com uma linguagem diferente, que manteve até sua última edição, publicada em dezembro do ano passado.
Muito antes de o jornal fechar, Délio já não estava mais lá. Preferiu sair após o veículo ser vendido para um grande grupo de comunicação. E foi lançar mais uma nova empreitada: um site de notícias, até então algo pouco explorado. "O Londrinews foi uma fonte importante de informação no caso AMA/Comurb, que levou à cassação do ex-prefeito Antonio Belinati."
Irrequieto, como define o irmão, foi ainda a Ji-Paraná, em Rondônia, para reformular um jornal. "Foi quando teve seu primeiro AVC (acidente vascular cerebral)", lembra. Desde então, recolheu-se mais à família. Em dezembro de 2013, recebeu o título de cidadão honorário de Londrina. "Délio era assim: multi, vários em um", define o irmão.
Serviço:
Lançamento do livro "Cidadão Délio - Semeador", de Lélio Cesar
Quando Hoje, às 19h30
Onde - Central de Decorados Plaenge (Av. Madre Leônia Milito, 1700)


