Há dois anos Flávio de Souza passou a encontrar-se com Marília Pera, nas noites de domingo, para gravar depoimentos da atriz sobre seu trabalho. O projeto era exatamente esse: contar toda a trajetória de uma carreira vitoriosa, sem preocupar-se em ir além dos palcos. Depois de ‘‘umas dez sessões’’, fez-se a transcrição das fitas.
As conversas resultaram em cerca de 400 páginas para serem trabalhadas. Flávio planejava um livro de perguntas e respostas, assim como uma grande entrevista. Estava no meio do projeto quando Luiz Schwartz, editor da Companhia das Letras, jogou água fria na fervura: brasileiro não gosta de livros do gênero.
A partir daí teve início uma tortuosa procura pela melhor adaptação daquele calhamaço todo, com todas as informações contidas, a partir do primeiro espetáculo da estrela, quando ela tinha quatro anos de idade. Diversas tentativas, um sufoco danado e um perigoso bloqueio começou a incomodar ainda mais Flávio de Souza.
Ele acha que era preciso engolir, literalmente, tudo aquilo para depois vomitar (‘‘a palavra é feia, mas foi isso mesmo que aconteceu’’) no papel. Com o auxílio de mais uma redatora, o projeto está chegando ao seu final. O livro está previsto de sair no segundo semestre pela editora Scrita, de São Paulo, farto de fotografias, até o último filme de Marília. O título da obra, ‘‘Vissid’arte’’, foi retirado de uma ária da ópera Tosca. A tradução: ‘‘vivi de arte’’. Nada mais singelo para uma atriz com formação de canto lírico. (Z.C.L.)

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