Billy Crystal rouba a cena de Robert de Niro em "Máfia no Divã"
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 10 (AE) - Billy Crystal, quem diria, rouba a cena de Robert De Niro em "Máfia no Divã". A comédia de Harold Ramis estréia amanhã. Crystal também está no encantador "Desconstruindo Harry", de Woody Allen, fazendo justamente o amigo a quem Harry acusa de ter-lhe roubado a namorada. Em "Máfia no Divã", De Niro faz o mafioso em crise (sofre de síndrome de pânico) que deita no divã da psicanálise. Crystal é o analista. Tem momentos ótimos.
O ponto de partida é interessante. A organização secreta
a irmandade, abrindo seus segredos para um racionalista frio. O mafioso, do alto de sua posição de poder, tendo de admitir sentimentos como medo, aflição, raiva e culpa. Pior: tornando-se dependente do analista. Dá para rir um pouco, embora o filme confirme que a comédia não é o forte de De Niro. Ele exagera nas caretas, fica caricato ao tentar parodiar-se. Crystal, mais solto, leva a melhor.
É um filme de Ramis, que surgiu na revista "National Lampoon" e, no cinema, estourou logo de saída com "O Clube dos Pilantras", obtendo mais sucesso de público do que de crítica. Por este último, Ramis teve de esperar mais alguns anos, até fazer aquele que é seu melhor filme - o filosófico "Feitiço do Tempo".
Ramis ironiza os clichês da psicanálise e da violência. Ele não quis ser inconsequente. Ao aprender a lidar com seus sentimentos, o personagem de De Niro habilita-se a quebrar o ciclo da violência em que vive. Talvez seja o fraco de "Máfia no Divã". O filme que Ramis achou que só funcionaria se fosse real vira uma fantasia meio pretensiosa.
Serviço - "Máfia no Divã". Comédia. Direção de Harold Ramis. Com Robert De Niro, Billy Crystal, Lisa Kudrow, Chazz Palminteri. Duração: 104 minutos.Distribuição: Warner Bros.


