São Paulo - Estreia sexta nas salas mais uma das apostas do cinema nacional para este ano. Na comédia ''Billi Pig'', dirigida por José Eduardo Belmonte, Billi, um porquinho de brinquedo, dá conselhos à protagonista Marivalda - o primeiro papel principal de Grazi Massafera no cinema -, uma jovem do subúrbio do Rio de Janeiro que sonha em se tornar uma grande atriz, mas não tem muito talento para isso.
O marido dela é Wanderley (Selton Mello), um corretor de seguros fracassado que faz de tudo para dar uma vida melhor à mulher. Para isso, ele se junta a um falso padre (Milton Gonçalves), com quem forja um milagre que supostamente salvaria a vida da filha do traficante Boca (Otávio Muller), em troca de dinheiro e mordomia.
''O filme homenageia a chanchada, que no Brasil já teve grandes representantes, como o ator Oscarito'', diz Belmonte, sobre o gênero que fez sucesso no país entre as décadas de 1930 e 1960. As atuações exageradas de Grazi, Mello e Nascimento fazem jus à referência.
A presença do porquinho Billi - cuja voz também é feita por Grazi - é que, por vezes, não faz muito sentido, já que os diálogos entre ele e sua dona são, na verdade, irrelevantes para a história principal. A certa altura do longa-metragem, ele até se torna uma animação, que interage com os atores.
A participação de Preta Gil, como a dona de funerária Generosa, e a de Milhem Cortaz, seu assistente, causam risos, mas os personagens têm tanta importância quanto o brinquedo de Marivalda.

Sátira de Grazi
''O grande barato desse filme é que rio de mim mesma. Marivalda é uma sátira minha, de momentos que já vivi no início da carreira'', conta Grazi, lembrando-se de quando achava que vida de atriz era só glamour.
A atriz já havia atuado no cinema como Ana, em ''Didi, o Caçador de Tesouros'' (2005), de Marcus Figueiredo. ''Marivalda veio com mais foco e consciência, por isso considero a minha estreia. Na primeira vez, era só brincadeira'', admite a atriz.
Para compor a personagem, Grazi diz que usou muito de si mesma. ''Busquei a ingenuidade que toda menina do interior, de onde eu vim, tem sobre a vida'', explica a atriz. Quanto à dublagem de Billi, conta que outra pessoa seria contratada para fazê-la. Porém, nos bastidores, ela criou, de brincadeira, uma voz para o porquinho. Selton Mello gostou e sugeriu ao diretor José Eduardo Belmonte que a própria Grazi fosse a dubladora.

Musical
O gênero chanchada, famoso no Brasil principalmente a partir da década de 1930, foi uma grande influência para Belmonte em ''Billi Pig''. Mas não foi o único estilo cinematográfico a entrar no longa. O gênero musical é um dos favoritos do diretor e também marca presença.
''Sempre fui um grande fã dos musicais e não pude deixar de acrescentar algo disso no filme. Foi uma cena divertida de fazer'', diz o diretor, referindo-se a uma cena em que os frequentadores de um bar decadente fazem uma coreografia, cantando e dançando com uma então deprimida Marivalda (Grazi Massafera).
A música veio de um lugar inusitado. ''Estava andando em uma feirinha em Brasília e ouvi essa música brega. Comprei um CD por R$ 5 do cantor, e depois colocamos a canção no filme'', conta Belmonte, que também contou com a participação de Arlindo Cruz. O sambista encerra o longa com um grande show de pagode, no qual põe todos os personagens para dançar.

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