Bilheteria garantida?
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sábado, 07 de abril de 2012
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local <br> 
Se na última vez que você foi ao cinema ou ligou a TV para assistir a uma série ficou com a sensação de ''já vi essa história em algum lugar'', é bom se acostumar. Segundo dados divulgados no mês passado pelo site thenumbers.com, 2011 ficou marcado na história da indústria audiovisual como o ano em que o número de roteiros adaptados para cinema e TV superou o de ideias originais. A pesquisa indica que o 'market share' de filmes e séries adaptados de livros, histórias em quadrinhos ou remakes alcançou 51% do mercado, contra 49% das narrativas originais.
Os números 'apertados' não refletem a grande diferença no lucro dessas produções, e está cada vez mais difícil de encontrar um roteiro original figurando entre as maiores bilheterias do cinema: na lista dos 10 filmes mais vistos no ano passado, nenhuma história nova. Enquanto alguns são adaptações literárias ou de HQs (Harry Potter, Crepúsculo, Thor, Capitão América) outros são frutos de sequências ou remakes (Transformers, Se Beber Não Case, Piratas do Caribe, Velozes e Furiosos, Carros, Planeta dos Macacos).
Hoje, o poder das adaptações também vai além dos filmes-pipoca. Na premiação do Oscar, seis dos dez indicados pela crítica na categoria de ''Melhor Filme'' também tinham o roteiro adaptado (Cavalo de Guerra, A Invenção de Hugo Cabret, O Homem Que Mudou o Jogo, Histórias Cruzadas, Os Descendentes e Tão Forte e Tão Perto). Na telinha de casa, o cenário não é tão diferente: seriados americanos de sucesso como Dexter, True Blood, The Walking Dead e Game of Thrones também alavancam o ibope das maiores redes televisivas do mundo contando histórias que já fazem parte de outros o universos culturais (HQs e livros).
Está faltando criatividade em Hollywood? Não. Está faltando ousadia. De acordo com a cartilha seguida pelos grandes estúdios, o investimento mais seguro de hoje dentro do mercado audiovisual é aquele que atinge audiências formadas - ou seja: as ótimas histórias da literatura ou dos quadrinhos já possuem uma base de fãs antes mesmo de ganharem vida nas telas, e esse público (mesmo contrariado) vai querer conferir no cinema ou na TV os personagens aos quais já se conectou emocionalmente, nas páginas de seus livros preferidos.
Dentre os exemplos mercadológicos de sucesso frutos dessa estratégia estão as sagas cinematográficas de ''O Senhor do Anéis'' - que rendeu US$ 2,9 bilhões nas bilheterias do mundo - e os sete filmes do bruxinho Harry Potter, que ultrapassaram a marca de US$ 4,4 bilhões, batendo o recorde de série mais lucrativa da história do cinema e transformando sua autora, J.K. Rowling, na escritora mais rica de todos os tempos.


