São Paulo, 21 (AE) - Victor Biglione faz dois espetáculos, amanhã (22) e quarta-feira, na sala B do Teatro Alfa, em São Paulo, para lançar seu novo disco, "Cinema Acústico" (Vison), repertório de grandes temas compostos para a tela - de "Laura", canção de Johnny Mercer para o filme de Otto Preminger, a "Tommy", de Pete Townshend, da ópera-rock estrelada por The Who e por meio mundo do pop dos anos 70.
Nascido na Argentina, brasileiríssimo, compositor, violonista, arranjador, guitarrista, Victor Biglione tem intimidade com a música para cena. Compôs para teatro (Uma Aventura na Síria, de Caio de Andrade), televisão (A Justiceira, direção de Daniel Filho), Cinema (Como Nascem os Anjos e Faca de dois Gumes, de Murillo Sales). Conhece, portanto, o assunto que aborda em "Cinema Acústico". Victor começou a projetar-se como promessa daquele jazz-rock que imperou a partir da metade dos anos 70 e durante os anos 80. Era música a exigir do executante muita técnica, quase sempre em detrimento de qualidades interpretativas. Destacava-se pela habilidade, pela velocidade do toque - e também porque conseguia imprimir sentimento a música tão dura. Tanto que sempre gravou com grandes nomes, brasileiros ou internacionais, de João Bosco, Ivan Lins, Chico Buarque, Gal Costa, Wagner Tiso a The Manhattan Transfer (em disco premiado com Grammy), Lee Konitz, John Patitucci.
Seu 12.º disco, lançado no ano passado, "Strings of Desire", era um belíssimo duo de violões - o outro músico era Andy Summers, ex-The Police. O solo acústico foi a melhor opção que Biglione poderia ter feito. Seu trabalho está maduro; Victor consegue estabelecer o delicado equilíbrio de técnica e sensibilidade. Ouçam seu "Moon River", só violão, cordas de aço. É uma escolha ousada - Toninho Horta acabou de gravar a linda canção de Henry Mancini. São visões diferentes, a de Victor mais extrovertida, a de Toninho estabelecendo uma ponte entre o Tiffanys e os largos horizontes mineiros: tantos são os mundos que uma canção universal abriga.
Nos shows de amanhã e quarta-feira, Victor Biglione vai estar em cena com Márcio Hallack (piano), Hugo Pilger (violoncelo), Marcelo Manga (contrabaixo) e Arthur Dutra (bateria). Alguns números, fará sozinho. Além de "Moon River", o Gardel de "Por Una Cabeza", de Tango-Bar (J. Reinharddt, 1935). A música brasileira para cinema faz-se representar por "Muié Rendeira" (folclore, usado em "O Cangaceiro", Lima Barreto), "Manhã de Carnaval" (Luís Bonfá e Antônio Maria para o filme Orfeu Negro, de Albert Camus), "Tostão" (Milton Nascimento, para o documentário sobre o grande jogador).

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