Após vaias ao diretor no dia da exibição do filme, "Big Jato", de Cláudio Assis, foi o grande vencedor da 48ª edição do Festival de Brasília, com cinco troféus Candango. Além do prêmio de melhor filme segundo o júri oficial o quarto longa do diretor pernambucano recebeu ainda os Candangos de melhor roteiro, ator (Matheus Nachtergaele), atriz (Marcélia Cartaxo) e trilha sonora (DJ Dolores). Com o triunfo de "Big Jato" - que leva R$ 100 mil -, uma crônica sobre a formação de um jovem poeta em uma cidade do sertão nordestino, Assis sai vencedor do festival pela terceira vez, repetindo os feitos de "Amarelo Manga" (2002) e "Baixio das Bestas" (2006). Seu longa anterior, "A Febre do Rato" (2011), venceu o finado Festival de Paulínia. No sábado, dia da exibição do filme, parte da plateia interrompeu sua apresentação com vaias e gritos de "machista". Protestavam contra o comportamento de Assis e Lírio Ferreira, em 29 de agosto, no Recife, num debate sobre "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert. Os dois soltaram comentários machistas e homofóbicos. No fim da projeção em Brasília, porém, "Big Jato" foi aplaudido de pé. Ao subir no palco na noite de anteontem para receber o prêmio, o diretor voltou a receber algumas vaias. Durante o discurso, bateu boca com parte da plateia.
A produção paranaense "Para Minha Amada Morta", estreia na ficção de Aly Muritiba, também foi outro grande vencedor, com um maior número de Candangos - seis ao todo: melhor diretor, ator coadjuvante (Lourinelson Vladmir), atriz coadjuvante (Giuly Biancato), fotografia (Pablo Baião), direção de arte (Monica Palazzo) e montagem (João Menna Barreto). "Fome", de Cristiano Burlan, ficou com o troféu de melhor som e o Prêmio Especial do Júri, para o ator Jean Claude Bernardet, enquanto "A Família Dionti", de Alan Minas, recebeu o prêmio de melhor longa segundo o púbico.
Da sólida competição de curtas, o ótimo "Quintal", de André Novais Oliveira, recebeu os prêmios de melhor filme, roteiro e atriz (para Maria José Novais, a mãe do diretor). "A Outra Margem", de Nathália Tereza, ficou com o prêmio de melhor direção, e "História de uma Pena", de Leonardo Mouramateus, com o Prêmio Especial do Júri.

*O jornalista viajou a convite do Festival de Brasília

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