As big bands são conhecidas, na história do jazz, como aglomerados de grandes talentos. A exigência de bons instrumentistas explica-se pelas características: arranjos cuidadosos exigem disciplina para que o resultado final mantenha qualidade, evitando exibições exageradas - comuns em egos inflados do jazz.
Por outro lado, a formação com amplo naipe de metais abre um leque de possibilidades, permitindo trabalhar com maleabilidade o trio melodia, harmonia e ritmo. Essa gama de opções despertou o interesse de uma turma de músicos do Bixiga, em São Paulo, resultando na Banda Aquarius.
Após algumas formações e mudança de nomes, liderados por Nailor Azevedo, os instrumentistas formaram a Banda Mantiqueira. O objetivo do grupo é aproveitar as influências de big bands como as de Count Basie e Duke Ellington com arranjos para compositores brasileiros.
Se a big band é um formato americano, na Mantiqueira ganhou suingue nacional. Vale lembrar que grandes orquestras foram comuns no samba, muito utilizadas por Jamelão, obtendo destaque em bailes de gafieira.
Com referências explícitas de Louis Armstrong a Hermeto Paschoal, incluindo na lista brasileiros como Raul de Souza, Amilton Godoy, Heraldo do Monte, Roberto Sion e Casé, a Mantiqueira buscou uma linguagem própria, respaldada na experiência de seus integrantes, que já acompanharam nomes como João Gilberto, Caetano Veloso, Sadao Watanabe, Anita O’Day e Joe Williams.
Com a estrutura montada, a banda tocou por anos no Vou Vivendo, reduto da boemia de São Paulo conhecido por revelar músicos. Nesse período, o grupo teve contato com nomes como Paquito D’Rivera, Arismar do Espírito Santo e Teco Cardoso. ‘‘Aldeia’’, o primeiro disco, tornou o grupo conhecido nacionalmente com a indicação para o Grammy de Melhor Performance de Jazz Latino.
Por isso são vários os motivos para conferir a performance da Banda Mantiqueira hoje, às 20h30 no Teatro Marista, em Londrina. O evento é promovido pela Vivarte e traz um programa que inclui músicas de João Bosco, Sonny Rollins, Pixinguinha, choro e música nordestina.
Enquanto se apresenta por todo o País, a Mantiqueira já prepara o segundo disco, uma homenagem ao bairro onde surgiu: ‘‘Bixiga’’, que será gravado em julho.DivulgaçãoAssociando a estrutura de orquestra com arranjos para música brasileira, a Mantiqueira prepara o segundo discoRanulfo Pedreiro

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