Big Allanbik prega a globalização do blues
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de abril de 1998
Luiz Claudio Oliveira 
DivulgaçãoA banda carioca Big Allanbik mostra o blues brasileiroA banda carioca Big Allanbik apresenta-se hoje, na Forum, em Curitiba mostrando uma interessante tese de globalização do blues. A banda está lançando, depois de dois anos de trabalho, o disco batuque y blues, que saiu pela gravadora Velas. No disco e no show, será apresentado o blues com um tempero brasileiro.
Este mesmo disco de blues temperado com a percussão brasileira, encantou o big boss da gravadora alemã Enjia (pronuncia-se Enia), Matthias Winkelmann, que precisou de apenas uma audição para contratar o grupo. A gravadora já está colocando o disco nos mercados europeu, asiático e dos EUA.
Há uma grande diferença de tratamento entre os empresários do ramo de discos da Europa e Estados Unidos e os do Brasil, afirma o vocalista Ricardo Werther que explica: Aqui, quando você apresenta o trabalho, por melhor que seja, os empresários perguntam: e o que mais vocês oferecem, qual a mídia que vocês nos garantem?. Lá fora, se o empresário acha o trabalho bom, ele pergunta: quanto vocês querem de adiantamento?.
A diferença de tratamento acontece também nos estúdios de gravação. Enquanto no Brasil, todos os estúdios querem te apressar e não te dão todas as condições de trabalho, a experiência de gravação do CD batuque y blues em Nova York, no Avalon Studios foi bem singular, conta Werther.
O estúdio inteiro foi colocado à nossa disposição, inclusive uma sala cheia de equipamentos dos mais variados que pudemos escolher à vontade, diz o empresário da banda, Elias Gass. A escolha de amplificadores valvulados, microfones, um teclado Hammond B-3, que já havia sido utilizado por Rick Wakeman e um piano onde Pinetop Perkins costumava gravar, permitiu ao disco uma sonoridade típica dos anos setenta. Tudo somado à experiência do produtor Bob Stander, que trabalhou com músicos como Roy Buchanan, Paul Simon, Pete Townshend e bandas como Kiss e The Platters.
O show de hoje mostra o repertório do disco batuque y blues e alguma coisa dos albuns anteriores do Big Allanbik que foram Blues Special Reserve e Black Coffe. O curitibano poderá ver a banda que já tocou em lugares sagrados, como o Blue Note, em Nova York, o Tobacco Road, em Miami, e o Buddy Guys Legends, o bar do guitarrista Buddy Guy, em Chicago. Aliás, o Big Allanbik foi a primeira banda brasileira de blues a fazer uma turnê pelos Estados Unidos.
A banda é formada por Ricardo Werther, apontado pela crítica como o melhor vocalista brasileiro do gênero; Ala Ghreen, pianista de 22 anos que já gravou com B.B. King; Big Gilson, guitarrista contratado como endorser (algo como artista patrocinado e divulgador) das guitarras Gibson e amplificadores Fender; Ugo Perrota, baixista que já gravou com o gaitista Sugar Blue; e Beto Werther, baterista e percussionista.
Mais do que uma banda, o Big Allanbik está se transformando em uma empresa. O grupo possui uma loja de instrumentos musicais e CDs no Rio de Janeiro, a Big Fat Music e está abrindo a gravadora Top Cat Brasil, associada à Top Cat do Texas. Eles pretendem ser a única gravadora do país especializada em blues e reunirão no mesmo selo os principais nomes do blues brasileiro.


