Começa hoje a 19ªBienal do Livro de São Paulo. Cada vez maior, ela ocupa agora o Pavilhão de Exposições do Anhembi. Entre seus números extraordinários, de previsão de público e títulos a serem lançados, o evento continua apostando nos autores brasileiros e nos livros populares, entre a auto-ajuda e seus afins. Perde o charme como palco de discussão literária, adjetivo que parece ter mesmo ficado com a Feira de Livros de Paraty. ‘‘São eventos diferentes, que não competem’’, opina a diretora editorial da Record, Luciana Villas-Boas, quando questionada se a Bienal não teria virado um imenso shopping center de livros.
  Ela concorda com a idéia de que a agitação cultural não é o que mais chama a atenção no evento, mas não com a ‘‘acusação’’ de que se trata agora de uma feira comercial como outras tantas, das agrícolas às da indústria automotiva. ‘‘É sempre uma oportunidade de divulgação da importância do livro. Para as editoras, é um investimento em promoção institucional. Mas não se pode dizer que é um evento comercial, porque o que as editoras investem é muito mais do que elas obtém de lucro imediato.’’
  Magda Ottani, diretora Comercial da Abril Educação, das editoras Ática e Scipione, diz que até mesmo para os que atuam basicamente num mercado tão segmentado quanto o de livros didáticos a venda de livros não cobre os gastos com o evento. Mas rejeita a idéia de que a Bienal perde espaço no debate de idéias. ‘‘A programação não deixa dúvidas, está repleta de debates, conversas, sessões de autógrafos, entre outros eventos. A cada Bienal o espaço para essas atividades vem aumentado’’, observa.

  Vitrine - Está na promoção institucional a chave para o interesse das editoras - pequenas, médias e grandes - em participar da Bienal. E é uma ponte que se procura fazer não só com o público que circula aos montes pelos corredores, mas com toda a cadeia produtiva do livro, do papel em branco às livrarias. ‘‘Sendo um evento organizado pela Câmara Brasileira do Livro, que congrega todas as áreas do setor, a Bienal tem de atender a editores, distribuidores e livreiros, e pensar o mercado editorial como um todo. Por isso, não pode ser, de fato, um evento literário, porque mercado editorial não se faz só de Literatura’’, analisa o editor Raul Wasserman, da Summus Editorial, ex-presidente da CBL que acompanha de perto os desdobramentos da Bienal do Livro desde as primeiras edições, nos anos 70. ‘‘E, na medida em que cai essa aura romântica em relação ao livro, a Bienal passa a ser um grande feirão.’’
  Sendo assim, se é para pensar em mercado, o evento teria também a função de buscar alternativas para resolver o desnível que parece até insolúvel, entre livreiros - que querem vender, mas não têm público - e leitores - que querem ler, mas não têm dinheiro. Mas para Wasserman, a Bienal tem falhado na formação de novos leitores - justamente porque sendo um ‘‘feirão’’, compete com a própria livraria.
  O editor cita o extinto cheque-livro, que convertia o ingresso da Bienal num desconto de 10% em livrarias. ‘‘Aquele mecanismo ajudava a levar parte do público do evento para as livrarias, durante o ano todo’’, lembra. ‘‘Este ano não vai ter, e o que está previsto são vários saldões. Isso é péssimo, porque assim a Bienal vai concorrer com o livreiro.’’
  Os editores são unânimes em afirmar que Bienal não é lugar de vender, mas de aparecer. Mesmo assim, se mostram receosos com relação à data desta 19ªedição que, à mercê do apertado calendário do maior espaço para feiras da América Latina, coincide com um período delicado do ano, quando a maioria acabou de sair de obrigações financeiras como matrícula e material escolar e impostos mil. Assim, pode ficar - mais - difícil comprar livro.

NÚMEROS
  O Pavilhão de Exposições do Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1.209) vai ferver a partir de hoje com a abertura da 19ªBienal do Livro de São Paulo. A expectativa dos organizadores é alta: estimam um público de 800 mil pessoas - na edição passada, 557 mil circularam pelos corredores e alamedas. O público infantil esperado é de 180 mil crianças de 860 escolas. Até o último dia dessa grande festa do livro (dia 19), serão expostos 210 mil títulos e 1,5 milhão de exemplares. Serão lançados 3 mil novos títulos, por 320 expositores reunidos em área de 57.600 metros quadrados.
Atividades paralelas - Como em edições anteriores, a Bienal terá uma série de atividades, como autógrafos, apresentação de teatro, fantoches, contação de histórias entre outros eventos. Os leitores adultos têm a oportunidade de debater com escritores no Salão de Idéias e participar de reflexões sobre os clássicos da literatura e bate-papo com autores e intelectuais no Espaço Literário Visa. A área de educação é coberta no ‘‘Fala, Professor!’’, espaço dedicado à educação continuada e reciclagem de profissionais da área, além do Espaço Universitário, com palestras ministradas por especialistas de diferentes segmentos, como História, Direito, entre outras.
A programação completa está disponível no site: www. bienaldolivrosp.com.br

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