BIENAL DO RIO- Espaço 'Amigos para Sempre' relembra ídolos das letras
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terça-feira, 18 de setembro de 2007
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Já faz 33 anos que um câncer matou Vianinha. Mas Domingos Oliveira, amigo e parceiro do teatrólogo, escritor e ator, tem bem vivas na memória as muitas histórias que viveu com ele. Algumas serão contadas ao público da Bienal do Livro na tarde da próxima sexta-feira, no espaço Amigos para Sempre (que receberá também Luiz Werneck). Como a da primeira vez em que Vianinha, já com 34 anos, fumou maconha. Era só uma ponta, mas foi o suficiente para que ele vagasse durante horas, alucinado, perguntando: ''Onde está Goethe?''.
Mesmo numa megafeira, é difícil homenagear todos os grandes nomes da literatura brasileira que nos deixaram. Criado na edição de 2003, o Amigos para Sempre tem essa função. Gente que conheceu de perto os autores é convocada a contar para uma platéia geralmente formada por admiradores um pouco de sua intimidade, como era seu processo criativo, de que forma ele se relacionava com o ofício e com o mundo. Este ano, são sete sessões.
Domingos vai participar ''com muito prazer'', mas adianta que a amizade com Vianinha, apesar de profunda, era distante. ''Ele era muito fechado, tímido. A gente se gostava, mas não era tão próximo. Talvez eu seja o amigo mais próximo que ainda esteja vivo'', brinca.
Os dois moraram na mesma Rua Ataulfo de Paiva, no Leblon, um em frente ao outro. Trabalharam juntos na TV Globo, no programa ''Caso Especial'', em que se revezavam na adaptação de textos. Depois de cada episódio de ''A Grande Família'' (escrita por Vianinha) ir ao ar, eles se falavam pelo telefone e Domingos dava seus palpites. A dupla também esteve lado a lado no filme ''É Simonal'', com direção de Domingos e atuação de Vianinha.
Foi durante as filmagens, na Ilha de Brocoió, que ocorreu o episódio da maconha. ''Ele ficou enlouquecido até de manhã. Nunca mais fumou.'' O cineasta, que se inspirou na peça ''Corpo a Corpo'' do amigo para escrever o filme ''Carreiras'', pretende falar também do Vianinha genial, com quem era ''uma delícia escrever''. Do amigo com quem tinha discussões filosóficas sobre a contracultura, do homem ''formidável, mas muito neurótico'', que não andava de táxi, mesmo tendo dinheiro porque ''pobre anda de ônibus.''
Na abertura da bienal, na quinta-feira passada, os integrantes do ''Casseta e Planeta'', Reinaldo, Hélio de La PeÀa, Hubert e Marcelo Madureira, discorreram sobre a longa e prazerosa convivência com Bussunda, companheiro que perderam no ano passado. A sessão, concorrida, foi ainda mais emocionante porque a mulher e a filha do humorista, Angélica e Júlia, compareceram.
Na última terça-feira, Antônio Cícero prestou um tributo a Waly Salomão. No próximo domingo, último dia da feira, José Castello relembra João Cabral de Melo Neto. ''São pessoas que nos fazem falta'', diz Rosa Maria Araújo, uma das curadoras da bienal, que mandou colocar fotos dos homenageados no Café Literário.


