Bienal do Mercosul homenageia Julio le Parc
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quarta-feira, 30 de junho de 1999
Por maria Hirszman 
São Paulo, 01 (AE) - Julio le Parc, o artista argentino radicado na França que se tornou um dos grandes nomes da arte cinética mundial, veio ao País conhecer o espaço que abrigará sua exposição na 2.ª Bienal do Mercosul. Mais de 30 anos depois de ter mostrado sua obra revolucionária na 9.ª Bienal de São Paulo, Le Parc retorna agora como um dos dois artistas homenageados pela mostra latino-americana, que ocorre em Porto Alegre a partir de 5 de novembro, ao lado do pintor brasileiro Iberê Camargo.
A exposição, que ocupará um andar inteiro do Espaço Ulbra (antiga loja da Mesbla na capital gaúcha) terá dois blocos. De um lado estará o núcleo retrospectivo com 25 a 28 trabalhos realizados desde 1959 - ano em que desenvolveu suas primeiras experiências com luz elétrica -, que foram escolhidos em parceria com a curadora Sheila Leirner para mostrar os múltiplos caminhos explorados pelo artista, seu enorme potencial criativo e seu interesse pela constante experimentação de procedimentos e materiais. "Quem vir essa exposição pode pensar que ela não foi feita por uma única pessoa", disse Le Parc em entrevista coletiva concedida ontem (30) em São Paulo, reafirmando seu completo desinteresse em ater-se a um estilo.
Mas os brasileiros também terão a oportunidade de ver uma obra inédita do artista, realizada especialmente para o evento a partir de suas experiências com o reflexo e a luz e que ocupará um vão de 15 metros de altura. Segundo Le Parc, que sempre se engajou energicamente em combates pela liberdade política e por uma arte menos elitista e dominada pelo mercado, iniciativas como a Bienal do Mercosul são de vital importância para a preservação e desenvolvimento de uma cultura latino-americana. "É necessário sustentar e defender essa arte, tendo consciência de que não existe uma fórmula a não ser ter a certeza de que quanto maior a liberdade de criação, melhor ela será", defende.
Ele lembra que não existia uma história da arte latino-americana quando começou a estudar, há 50 anos, e comemora o fato de este patrimônio ter aos poucos ganhado forma com o passar dos anos. "Se pensarmos que há apenas uma maneira de fazer arte na América Latina, vamos fracassar sempre", pontifica.


