São Paulo, 04 (AE) - A popularização do livro, ao menos durante o período em que durar a 16.ª Bienal Internacional do Livro (de 28 de abril a 7 de maio, no Expo Center Norte), é a meta da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Programas de incentivo
beneficiando principalmente escolas, foram criados para que praticamente todos os visitantes deixem a feira com um livro. "Elaboramos três formas de incentivo à compra", anunciou hoje Raul Wassermann, presidente da CBL. "E a principal favorece os estudantes".
Para a feira deste ano, a entidade vem programando a visita de escolas com ingresso diferenciado. Cada aluno pagará R$ 2 por bilhete que poderá ser trocado por um livro em qualquer estande da Bienal. "Conseguimos um acordo com os expositores para que cada um selecione obras que serão oferecidas por no máximo R$ 2", conta Wassermann. "Serão livros especialmente selecionados para os estudantes e não estarão à venda para o público em geral".
A expectativa positiva com a iniciativa é tamanha que, segundo o presidente da CBL, há editoras preparando tiragens específicas para fazer venda diferenciada para escolas. O projeto já foi testado na Bienal do Rio do ano passado e obteve sucesso. "Esperamos que todos os estudantes daqui saiam com um livro debaixo do braço", conta Arthur Repsold, diretor-executivo da Fagga Eventos, que divide a organização da Bienal com a CBL.
A fim de atrair o maior número de escolas (que poderão agendar visitas pelo telefone 11-5089-9002), o espaço ocupado pelos expositores terá um layout diferenciado, permitindo melhor circulação. Também uma série de eventos será preparada, principalmente relativos à comemoração dos 500 Anos do Descobrimento.
Para o visitante comum, os organizadores prepararam também incentivos de compra. O valor aplicado na compra do ingresso, por exemplo, poderá ser utilizado no abatimento de aquisições superiores a R$ 30,00 - basta apresentar o bilhete no momento do pagamento. "Assim, quem adquirir livros praticamente não terá pago o ingresso", comenta Repsold. Também os expositores pretedem provomer ofertas diárias, escolhendo um livro que será a oferta do dia.
"Não vamos permitir outra forma de desconto durante a Bienal para evitar um canibalismo entre os estandes", comenta Wassermann, ainda incomodado com um problema maior e mais grave: a falta de uma política eficiente de incentivo à produção editorial. "Temos vários projetos no Ministério da Cultura, mas ainda não conseguimos nenhuma resposta favorável".
A grandiosidade da Bienal Internacional, aliás, é um paradoxo da cultura brasileira: apesar de o País ser o 8.º maior produtor editorial no mundo, com uma média de 50 lançamentos novos por dia e movimentando cerca de R$ 2 bilhões por ano, o índice de leitura (excetuando o consumo de didáticos) é de menos um livro por habitante por ano. "Trata-se de um índice de nação subdesenvolvida", lamenta Wassermann.
Para o presidente da CBL, o problema está na dificuldade de acesso à leitura. "A maioria das pessoas ou não pode comprar um livro ou não dispõe de uma biblioteca pública que realmente atenda às suas necessidades", conta. "E, infelizmente, a política governamental privilegia a indústria da informática com incentivos, mas se esquece da produção editorial".

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