A 10.ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro foi um sucesso de público e de mídia. Essa foi a conclusão dos organizadores, o Sindicato Nacional de Editores de Livro (Snel) e a Fagga Eventos, no balanço feito domingo, poucas horas antes do encerramento. Até então, 560 mil pessoas tinham ido ao Riocentro, local do evento, situado em Jacarepaguá, na zona oeste, perto do Autódromo e do Rock in Rio. Elas haviam comprado 1,6 milhão de livros. Os números bateram recordes e foram 30% superiores aos de 1999, mas o melhor foi o fato de a Bienal ter virado o programa do carioca nos 11 dias que durou e o assunto da cidade, na imprensa, televisão e em conversas informais.
A organização fez sua parte. Investiu R$ 14,5 milhões e ofereceu uma agenda que animou o público a enfrentar engarrafamento, pagar R$ 5,00 para estacionar e R$ 6,00 para entrar. Lá dentro, os livros custavam o mesmo que nas livrarias, mas as opções eram infinitas. E havia a oportunidade de falar com o autor, mais de cem deles, em cenas inusitadas. Quem já imaginou chamar Luis Fernando Verissimo de ‘‘fofinho’’, só para deixá-lo encabulado, como fez um grupo de adolescentes? Ou Ziraldo bancando o tio boa-praça (ou seria avô?) com milhares de pequenos leitores? Sem contar o escritor Pedro Gutierrez, recém-lançado aqui, que desfilou seu charme cubano, sucesso entre as balzaquianas.
Os espanhóis, homenageados deste ano, fizeram menos sucesso, mas saíram felizes, pois viram de perto o que intuíam de longe: o mercado é promissor e sobra espaço para escritores e editoras espanholas. Os US$ 500 mil (R$ 1,15 mil) investidos no estande e na vinda de nove autores (a bela Carmen Posadas e Manuel Vázquez Montalbán eram as estrelas) foram bem empregados, porque eles aprenderam também que este mercado é vigoroso e bem organizado. Shere Hite passou rápido e teve poucos ouvintes para suas histórias e estatísticas sobre sexo e negócio, sexo e sociedade ou sexo simplesmente. Apesar de a compra da José Olympio (e seu precioso acervo) pela Record ter sido anunciada lá, não foram fechados muitos negócios na Bienal, nem esse é o objetivo. ‘‘Este ano radicalizamos na opção de ser uma feira para o público e não para empresários’’, disse o diretor de Comunicação do Snel, Roberto Feith, dono da editora Objetiva. No entanto, o presidente do sindicato, Paulo Rocco, que levou o sobrenome para sua editora, lembrou que a venda de livros cresce nos meses seguintes ao evento. ‘‘Não dá para avaliar a influência neste aumento, mas muita gente lembra que livro existe.’’
A equação público/espaço é a principal questão da próxima edição, prevista para 2003. As visitas escolares terão de ser controladas. Dos 560 mil visitantes, 42% eram estudantes acompanhados de professores, numa média de 38 mil crianças por dia, de segunda a sexta. ‘‘Houve mais pedidos que não atendemos por medida de segurança’’, explicou o presidente da Fagga, Arthur Rapsold. ‘‘Ontem (no sábado), tivemos 82 mil pessoas. Nas atuais condições, fica desconfortável receber mais gente.’’
Uma das soluções é aumentar o espaço e o segundo pavilhão do Riocentro já está reservado para daqui a dois anos. Outra questão é escolher o país a ser homenageado. Os bons frutos colhidos por Portugal (1999) e Espanha (em 2001) animaram os governos da França, Itália e dos Estados Unidos a se candidatarem. ‘‘Nossa escolha terá critérios históricos, culturais e comerciais, mas ainda não pensamos nesse assunto’’, contou Rocco. ‘‘Houve apenas uma sondagem desses países, até porque ninguém se convida a ser homenageado.’’

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