Se dependesse das escolas, a Bienal Internacional do Livro do Rio, que termina hoje, receberia o dobro das 600 mil pessoas previstas. A visitação escolar perfaz um terço da cifra, mas a demanda é maior. ''As escolas se inscrevem com antecedência e, este ano, um mês antes já não havia vagas'', conta o diretor da Fagga, Arthur Repsold, que organiza o evento desde sua primeira edição, ainda nos anos 80. ''Vem gente de longe, até de outros Estados. Não há regras para a visitação, apenas orientamos os professores a se programarem, para as crianças aproveitarem melhor a viagem.''
E elas aproveitam mesmo. Meninos e meninas entre 5 e 15 anos invadem os 55 mil metros quadrados dos três pavilhões do Riocentro, das 9 às 18 horas. A média foi de 30 mil garotos por dia, sempre em grupos de 40 a 50 estudantes uniformizados e acompanhados de uma ou duas professoras que mantêm um mínimo de organização nas turmas. ''Esse grupo é da terceira série do Ciep Procópio Ferreira, em Del Castilho (zona norte da cidade). São meninos de favelas que quase nunca saem de lá'', conta a professora de leitura deles, Cristina Pego. ''Eles se encantam com tudo que vêem no caminho e associar esse prazer ao livro também é função dessa visita.''
A direção da Bienal sabe disso. Cada escola paga R$ 3 por aluno (nas municipais, a prefeitura cobre a despesa) e as crianças recebem um vale nesse valor para trocá-lo por livros. As editoras e livrarias têm lançamentos especiais a esse preço ou baixam o valor para conquistar novos leitores. Algumas, como a Siciliano, chamam animadores. ''Seria uma sessão de dramatização do Livro do Corpo Humano, mas as crianças pediram mais. Fizemos três sessões e não sei quando será a última'', diz um dos responsáveis pelo stand, Guilherme Magalhães. ''Vale a pena. Recebemos cerca de mil crianças por dia e, no fim, vendemos uns 3.000 volumes.''
Shayene Pereira e Lucas Pinheiro, ambos de 10 anos e alunos do Centro Educacional Meirelles Macedo, uma escola privada de Guaratiba, zona oeste do Rio, compraram logo três livros cada um. Cada criança pode completar sua cota com mais vales ou mesmo se associar. ''Só não pode comprar outro produto'', avisa Repsold. ''A idéia é habituar a criança a escolher os próprios livros.''
Desde o último domingo, quanto recebeu 57 mil visitantes, a Bienal tem batido recordes de público.

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