Bienal de Design Gráfico será aberta amanhã13/Mar, 15:47 Por Ana Weiss São Paulo, 13 (AE) - Na década em que o projeto gráfico mais (e mais rapidamente) passou por transformações no Brasil, a Bienal de Design Gráfico firmou-se como uma espécie de termômetro das mudanças dessa atividade no País. Realizada pela Associação dos Designers Gráficos, a mostra terá sua 5.ª edição aberta amanhã (14) no Sesc Pompéia e, mais uma vez, atesta a ampliação da atividade que chegou por aqui como um ramo específico do design e hoje apresenta seus desdobramentos, cada vez mais específicos. Embora baste abrir a janela pra ver quanto a criação gráfica se tornou segmentada nos últimos anos (com imagens em movimentos em telas de cristal líquido a capas de CDs que se transformam em tabuleiros), a exposição ilustra um pouco a lógica dessa mudança. Já era um exemplo disso a criação de uma categoria específica para os livros, mas este ano foram escolhidos, separadamente, os projetos específicos para as capas e os que dão conta do livro todo. "São trabalhos tão desenvolvidos dentro de suas especificidades que não se pode mais juntá-los em uma única categoria, ainda que se trate do mesmo produto, no caso, o livro", diz Ricardo Ohtake, curador da "Mostra Seletiva", segmento composto por 259 trabalhos, selecionados entre 1,3 mil inscritos. Da "Mostra Seletiva" deste ano participam preojetos criados e executados desde novembro de 1997, quando foi realizada a Bienal anterior. Esse núcleo da exposição está dividida, nesta edição, em Cartaz, Capa de CD e Capa de Livro (com trabalhos de Cecília Consolo, Cláudio Novaes, Margareth Takeda, por exemplo); Periódico, Livro e Publicação Pontual (Milton Cipis, Ettore Bottini); Identidade Corporativa, Sinalização e Ambientação (categoria também recém-encampada pela mostra, com criações de Solange Renaud, Kiko Farkas e Nahum Levin); Vídeo, Cinema, CD-ROM e Internet (Bill Martinez, Jimmy Leroy, Vicente Gil) e Embalagem, Material Promocional e Miscelânea (esta última, criada para dar conta de projetos sem que não se encaixam em nenhuma das categorias anteriores e não tem similares selecionados em número suficiente para a criação de uma nova categoria, como é o caso de calendários, jogos e agendas, criados por designers como Rico Lins e Lee Swain. Ohtake rassalta outra transformação detectada na seleção deste ano. "O computador passou a assumir o papel de instrumento mais maduro na criação", observa ele. "Até a Bienal passada, a informática era um recurso um tanto incipiente nos trabalhos gráficos; havia um certo deslumbramento que, pelo que se vê na mostra deste ano, foi superado". Este ano, a mostra preparou em parceria com o Itaú Cultural um núcleo histórico, que trata das origens do design gráfico no Brasil. "Até a década de 50, o País conhecia as artes gráficas, que não tinham o caráter de projeto do design", comenta Ohtake. Para ele, remontar ao início do design é contar uma história escrita por gente como Geraldo de Barros, Alexandre Wolner e Emilie Chamie, três exemplos do pioneirismo gráfico brasileiros, que estão em documentários, em vídeo e em computador, na sala especial. O terceiro núcleo da exposição abriga a criação dos associados da ADG, cerca de 250 trabalhos que não passaram por seleção e que, de acordo com o curador, tem a função de mostrar a quantas anda o mercado do design gráfico. "É nesse segmento que os visitantes podem ter uma idéia de como as pessoas estão trabalhando com o design gráfico hoje", acrescenta Ohtake. Serviço - 5.ª Bienal de Design Gráfico. De terça a sábado, das 10 às 21 horas; domingo e feriado, das 10 às 20 horas. Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Até 2/4.

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