Bienal de Arquitetura abre sem as cadeiras de Gehry
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domingo, 21 de novembro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 21 (AE) - Sem os móveis do arquiteto americano Frank O. Gehry (o autor do projeto do Guggenheim de Bilbao) e com as presenças bem-humoradas dos veteranos brasileiros José Zanine Caldas e João Filgueiras Lima, o Lelé, foi aberta no sábado (20), às 11 horas, a 4.ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. A direção da mostra convidou 15 mil pessoas para a abertura.
A sala especial de Frank Gehry no terceiro pavimento do pavilhão parecia uma instalação da bienal de artes visuais. Um imenso tablado de madeira com folhetos indicava um mobiliário de 30 cadeiras, só que invisíveis. O material, que pertence ao Vitra Design Museum, só chegaria amanhã (22) a São Paulo, conforme informação da assessoria de imprensa da bienal.
A mostra foi aberta com discursos do governador do Estado de São Paulo, Mário Covas (também presidente de honra), e do presidente da bienal, Carlos Bratke. Representando os arquitetos estrangeiros estava o argentino Alberto Varas, autor dos projetos de renovação urbana do Retiro e da Cidade Universitária de Buenos Aires.
O arquiteto baiano José Zanine Caldas, de 84 anos, apresentou pessoalmente ao público sua exposição no primeiro pavimento, composta de suas cadeiras dos anos 50, maquetes de casas e projetos rurais e móveis. Zanine conversava com os visitantes em volta da mesa de sua própria casa, enquanto comia frutas. A mesa é feita da base de um tronco de árvore, com um tampo de vidro e com um buraco ao centro (espécie de vaso), onde o arquiteto alterna flores e frutos.
Outro hit da megaexposição é o módulo de uma estação orbital montado no térreo do pavilhão. É a réplica de uma estação real da agência espacial americana, a Nasa, e ocupa 600 metros quadrados de área. Mostra, por exemplo, como os astronautas tomam banho e vão ao banheiro e ensina sobre o reaproveitamento de matéria orgânica. As crianças adoram.
Os objetos de consumo mais procurados são as réplicas de cadeiras da Vitra Design, que têm cópias de móveis de Van der Rohe, Frank Gehry e outros. São maravilhosas, mas o preço é salgadíssimo: entre R$ 200 e R$ 600. No segundo pavimento, a mostra Arquitetura para Cultura, organizada pela curadoria da bienal com patrocínio da Volkswagem e apoio do Estado, ilustra com painéis a leveza dos projetos desenvolvidos com fins culturais. Ao lado, a mostra The Danish Wave (A Onda Dinamarquesa) revela como se deve aliar - no desenho industrial - leveza e funcionalismo.
Outra exposição que desperta grande interesse do público - a exemplo do que já ocorreu na última bienal, em 1997 - é a da Associação Brasileira dos Construtores com Terra. Tem grandes paredes de taipa de pilão e um "forno" rural de tijolos de argila. No centro, um aparelho de som tocando música erudita.
Segundo estimativa do presidente da bienal, Carlos Bratke, a mostra pode levar ao Ibirapuera entre 150 mil e 200 mil pessoas até o dia 25 de janeiro, quando termina. A grande discussão que essa edição propõe é sobre a humanização das metrópoles e a transformação das megacidades para o próximo século. Serviço - 4.ª Bienal Internacional de Arquitetura. De terça a domingo, das 11 às 22 horas. R$ 10,00. Pavilhão da Bienal. Avenida Pedro álvares Cabral, s/n.º, portão 3 do Parque do Ibirapuera, tel. 574-5922. Até 25/1


