Bienal carioca terá o tom português de José Saramago
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 19 (AE) - A Bienal Internacional do Livro do Rio é uma festa portuguesa, com certeza. Além da conferência de abertura de José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, na quinta-feira haverá um grande encontro de escritores e intelectuais portugueses e brasileiros no Consulado de Portugal, somente para convidados, com a presença dos ministros da Cultura de Portugal e do Brasil. No domingo, serão comemorados os 25 Anos da Revolução dos Cravos e o Dia do Autor Português, com uma série de autógrafos no estande de Portugal. No sábado, haverá um show de fado com António Chainho, às 20 horas, no novíssimo Auditório Eça de Queiroz. A delegação de autores portugueses tem 22 nomes respeitados daquele País, entre eles os escritores António Mega Ferreira, Armando Silva Carvalho, Augusto Abelaira, Clara Pinto Correia, Francisco Bettencourt, Jorge Couto (historiador e presidente do Instituto Camões), além da mulher de Saramago, Pilar del Rio. Nunca a Bienal do Rio teve uma programação cultural tão intensa.
No Café Literário, a partir de quarta-feira, às 16 horas
escritores discutirão temas que vão do livro de cabeceira à unanimidade de certos clássicos da literatura. Entre os debatedores, Moacyr Scliar, Pedro Bial, Ziraldo, Arnaldo Niskier
Chacal, Thiago de Mello, Wally Salomão e Paulo Coelho. Lançamentos - Já o Salão Internacional de São Paulo não conta com convidados internacionais entre seus maiores trunfos. Mas eles também estão na ordem do dia. Além do economista canadense Michel Chossudovsky (que vem para o lançamento do livro A Globalização da Pobreza - Impactos das Reformas do FMI e do Banco Mundial), estará na jornada um bom time de autores ingleses. Jim Crace vem lançar "Quarentena", seu quinto romance. A obra fala sobre os 40 dias em que Jesus Cristo teria passado no deserto. Crace é ateu. Seus editores dizem que ele "traça um perfil comovente, e ao mesmo tempo impiedoso, do jovem Jesus Cristo". Ele fala quarta-feira, às 18 horas.
Pauline Melville conhece bem a realidade mestiça da América do Sul. Viveu muitos anos na antiga Guiana Inglesa. É ali que se passa seu primeiro romance, "A História do Ventríloquo" (Companhia das Letras), que será lançado no sábado
às 17 horas, na sala 7. Nesta primeira semana, também estará no salão um admirável time de autores espanhóis. O poeta e jornalista José Miguel Ullán, que publicou livros com ilustrações de Miró, Tapies e Chillida, estará falando da sua poesia e crítica. Além dele, estão no salão Ignácio Martinez de Pison e o advogado e jornalista Rafael Conte Oroz, que tem sido jurado do Prêmio Príncipe das Astúrias, um dos mais importantes da Espanha.
Mas é no Salão de Idéias que o evento concentra seu filé mignon. Ali, desde a semana passada, já se discutem temas relacionados com a cultura brasileira. Quarta-feira, Michel Chossudovsky e Luiz Gonzaga Beluzzo debatem a globalização. Na sexta, autoridades da política cultural tratam do tema das bibliotecas públicas.
No dia 1.º, às 19h30, um encontro imperdível: os poetas Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Cid Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, Lenora de Barros, Paulo Miranda, Walter Silveira e Omar Khouri apresentam "Ouvindo Oswald", leituras de poemas e gravações inéditas do revolucionário Oswald de Andrade. Augusto de Campos também lança o livro "Música de Invenção".


