Reprodução‘‘Abaporu’’: tela de Tarsila do Amaral, de 1928, é um marco do movimento modernista e representa a fase antropofágica da pintora. A antropofagia representa a incorporação estética de elementos de outras culturas para a criação de uma nova identidade artística e cultural brasileira. A obra de Tarsila foi fortemente influenciada pelo artista francês Fernand Legér. Apesar de ter uma obra reduzida, a pintora, por seu talento, tornou-se um símbolo do movimento modernistaA indicação do francês Pierrick Sorin, da suíça Sylvie Fleury e do belga Johan Muyle para a próxima Bienal mostra que a 24ª edição do evento deverá mesmo falar - além de francês - ‘‘a língua antropofágica’’.
A Bienal acontece entre 4 de outubro e 13 de dezembro e tem como tema a antropofagia, manifestação estético-cultural que se fundamenta no ‘‘Manifesto Antropófago’’, escrito por Oswald de Andrade em 1928, e na pintura de Tarsila do Amaral (cuja maior influência é a produção do francês Fernand Léger).
O conceito antropofágico é simples. Baseia-se na incorporação de valores culturais alheios para a criação de seus próprios valores e de uma nova identidade.
Os três artistas baseiam suas produções em procedimentos como a apropriação de elementos da história da arte e o uso de culturas alheias e de procedimentos do cotidiano estranhos aos artísticos. ‘‘Estamos realmente dentro da temática da antropofagia’’, garante a curadora Catherine De Croes, responsável pela indicação de Muyle. A adequação dos três artistas ao tema sugere ainda um novo procedimento antropofágico, já que eles deglutirão um tema ‘‘estrangeiro’’ para devolvê-lo enriquecido com as características de cada um. Também representa uma volta à origem, já que o francês era a segunda língua do movimento, e a França, durante a primeira metade do século, a maior fonte fornecedora de novidades ao país, onde beberam Tarsila e Oswald.

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