Bicho com cara de gente
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de outubro de 2002
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha 
Bicho é muito parecido com gente. Gente também é bem parecida com bicho. Gente pequena, portanto, é mais parecida com bicho pequeno. Tem que ensinar não morder chinelo, não engolir bolinha de gude, não beber água da privada e muito mais.
Se, em várias situações, criança se comporta como bicho pequeno nada mais natural que bicho pequeno se comporte como criança. E é justamente esse o caminho percorrido pelos livros da coleção Lelé da Cuca, publicados pela Editora Ática.
Os quatro primeiros títulos foram lançados no ano passado: ''A História da Lesma'', ''A História do Cão'', ''A História do Tatu'' e ''A História do Gato''. Agora chega às livraria quatro novos títulos criados a oito mãos por Karen Duncan, Samantha Stringle, Jackie Robb e Berny Stringle: ''A História do Morcego'', ''A História da Aranha'', ''A História da Ameba'', ''A História do Plâncton''.
Os livros contam divertidas histórias a crianças em início de alfabetização. Com textos curtos colocam os animais em situações semelhantes àquelas vividas pelas crianças no cotidiano, seja na família, na escola ou nos dramas individuais.
''A História do Morcego'', por exemplo, apresenta um morceguinho que nunca usava roupa da moda. Todo mundo ria dele, era motivo de gozação constante. Na verdade ele apenas vestia as roupas que gostava sem dar atenção aos outros. A situação muda de figura quando as pessoas começam a copiar as roupas usadas pelo morceguinho. Assim, da posição de discriminado, passa a ser um criador de moda.
''História da Aranha'' traz uma alegre aranha que não consegue entender porque as pessoas sentem medo quando ela se aproxima. Onde ela aparece, as pessoas saem correndo. Mulheres sobem na cadeira, gritam feito loucas. Homens procuram pisoteá-la sem dó nem pena. A situação se altera quando ela encontra um garoto que a teme. Então, a aranha conhece um pouco sobre a felicidade e carinho.
''A História da Ameba'' mostra a solidão de uma amebinha em não ter nenhum convidado para seu aniversário. Mesmo com várias tentativas, não consegue encontrar nenhum outra ameba por perto. Comovida com suas lágrimas, a lua resolve ajudá-la. E dá uma idéia meio maluca: esticar a amebinha até ela se partir em duas. Esticar mais uma vez e se partir em quatro, depois oito, e assim, uma multidão surgiu na festa.
Criança é muito parecida com bicho. Afinal não é nenhuma árvore pequena. Muito menos um filhote de pedra.
Serviço:
''A História da Aranha'', ''A História da Ameba'', ''A História do Morcego'', ''A História do Plâncton'', texto de Jackie Robb e Berny Stringle, ilustrações de Karen Duncan e Samantha Stringle, Editora Ática, série Lelé da Cuca, tradução de Luciano V. Machado, supervisão pedagógica de Madelena Freire, 32 páginas, R$ 9,90 cada volume.


