Um convênio assinado semana passada no Rio entre a Biblioteca Nacional e a New York Public Library - a maior rede de bibliotecas dos Estados Unidos - decretou definitivamente a palavra de ordem que, há um ano e meio, vinha direcionando as atividades da Biblioteca Nacional: preservação.
O acordo entre as duas entidades visa à troca de tecnologias, automação e treinamento de recursos humanos. Tudo, explica a diretora técnica da Biblioteca Nacional, Célia Zaher, com o objetivo de melhorar a conservação e a manutenção das coleções da instituição.
Quando assumiu, no segundo semestre de 97, Célia encontrou parte do acervo da instituição -que, segundo ela, possuiu cerca de 8 milhões de peças, entre livros, mapas, jornais e revistas - em estado precário de conservação.
‘‘As condições climáticas de nosso país são adversas à preservação do papel. Se não for feito um trabalho intenso de manutenção, não há acervo que resista à luz, calor e poeira.’’
A possibilidade do convênio com a New York Public Library surgiu em abril de 98, na primeira Conferência de Bibliotecas Líderes do Mundo, em Nova York. Segundo Célia Zaher, o evento, cujo tema foi ‘‘Estratégias Globais da Biblioteca do Século 21’’, resultou em vários acordos formais e informais entre os participantes.
Esse convênio permitirá a troca de informações bibliográficas e arquivos eletrônicos entre as duas bibliotecas. Além disso, por meio de programas de cooperação, será realizada a digitalização de coleções de interesse mútuo.
Segundo Célia Zaher, do acervo da Biblioteca Nacional o que mais despertou curiosidade nos representantes da New York Public Library foram fotografias da época da escravidão sobre folclore e costumes da cultura negra no Brasil .
‘‘A possibilidade de digitalização das coleções da biblioteca, além de permitir maior acesso às informações, permite a melhor conservação das obras raras’’, disse.
Por isso a Biblioteca Nacional convidou cinco instituições do Rio de Janeiro - Arquivo Nacional, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Mapoteca do Itamaraty/Ministério das Relações Exteriores, Arquivo Histórico do Exército e Serviço de Documentação da Marinha - que possuem mapas raros, alguns dos séculos 16 e 17, para discutir um projeto comum de tratamento e digitalização de seus acervos cartográficos. A iniciativa será patrocinada pela Andrew W. Foundation - uma fundação americana que repassa dinheiro para esse tipo de projeto -, um investimento, segundo Célia, de US$ 400 mil. Para o projeto, será instalada uma estação de digitalização de mapas de grande formato na Biblioteca Nacional.

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