Bibliotecas devem funcionar como redes
Autor do conceito de ''Biblioteca Interativa'', o doutor em Ciência da Comunicação pela USP, Edmir Perrotti, defende a inovação do espaço das bibliotecas para proporcionar ao leitor a apropriação da cultura. ''A biblioteca não deve funcionar como mecanismo isolado que só disponibiliza livros. Ela deve manter uma rede de equipamentos que possibilitem a formação de um circuito cultural que integre o leitor'', disse Perrotti. Esse circuito, segundo ele, envolveria a participação de bibliotecas, livrarias, sebos, autores e universidades.
A primeira versão da experiência ocorreu em uma escola municipal de São Paulo. A idéia foi tão bem-sucedida, que vem se espalhando por diversas cidades do estado. ''É importante o circuito para que o leitor não fique isolado no mundo dele. É fundamental que interaja com outras pessoas e os mais diversos serviços de informação'', afirmou.
Recentemente, Perrotti esteve na cidade canadense de Quebec para falar sobre a novidade no conceito de bibliotecas e contou que o público estrangeiro ficou fascinado com a idéia, que não é comum por lá. ''É interessante isso e tive que explicar que devido às nossas desigualdades temos situações contrastantes. De um lado, um analfabetismo que assusta, e, de outro, idéias que promovem a excelência do aprendizado. A desigualdade não é só econômica e deixa marcas indeléveis'', ressaltou.
Ele também acredita que é fundamental que os meios de comunicação se interessem mais pela recepção da informação, e que não deixem apenas nas mãos das editoras esse tipo de análise.
A separação da informação e do conhecimento é imprescindível para se evitar o ''estresse informacional''. Segundo Perrotti, a comunicação escrita é um fato cultural da nossa civilização. ''Ou se domina ou se está excluído. A escrita é um fenômeno de sobrevivência que se deve dominar para ler desde uma bula de remédio até os grandes clássicos. A leitura eficiente promove o equilíbrio, libera o leitor da coerção'', afirmou o professor.





