BIBLIOTECA PÚBLICA FAZ 50 ANOS
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de agosto de 2001
Francelino França<BR>De Londrina 
No deserto cultural em que se encontram as cidades brasileiras, os municípios que possuem uma única biblioteca são considerados privilegiados, com os moradores vivendo num verdadeiro oásis. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas uma em cada cinco cidades brasileiras são dotadas de bibliotecas públicas. Na pesquisa de Informações Básicas Municipais, Londrina conta com 18 bibliotecas públicas. Integram esse rol a Biblioteca Pública Municipal, a Gibiteca, a Biblioteca Infantil, o Ramal da Vila Nova e as salas de leituras, que funcionam nas escolas municipais da área urbana e rural.
A Biblioteca Pública Municipal Pedro Viriato Parigot de Souza, localizada no prédio do antigo Fórum Estadual, completa 50 anos no próximo dia 4 de setembro. A Folha 2, faz uma série de reportagens discutindo a função da biblioteca, os novos projetos e resgatando historicamente a trajetória desse patrimônio em cinco décadas.
Sobre as novas propostas, há alguns projetos que começam a acontecer. Segundo a diretora da Biblioteca Pública de Londrina, Célia Zambaldi, depois do remanejamento interno de pessoal é preciso entrar em ação. Se não há uma equipe preparada e azeitada, inviabiliza qualquer projeto. A formação da equipe, talvez, seja a pedra angular para dinamizar novos projetos. Engessada numa administração vitalícia de 27 anos, a Biblioteca Pública Municipal enfrenta na nova administração o desafio de reinventar o órgão diante da comunidade, facilitando o acesso, buscando um público diferenciado. Hoje, os usuários são alunos do ensino fundamental e médio, em busca de obras de referência para a pesquisa escolar. Outro espaço bastante utilizado é o da sala de leitura de periódicos, frequentada pelo público adulto masculino, voraz por notícias.
A Biblioteca existe para permitir acesso à informação ao público em geral. Todos têm direito de usufruí-la, mesmo não sendo estudantes, afirma Célia Zambaldi, que empreendeu um remanejamento da reduzida equipe do órgão. Um dos estigmas que rondam o serviço é o de ser um espaço restrito somente aos estudantes, e que deve ser revertido.
Em Londrina, um dos diferenciais da Biblioteca Municipal se refere à informação à cidadania, que abrange desde o atendimento de informações básicas sobre a cidade e os eventos com serviço denominado Psiu até o mural de empregos, que faz com que um público não habitual atravesse os portais do prédio majestoso. Mas essa facção se limita apenas ao mural de empregos, se intimidando e desconhecendo que pode usufruir dos outros serviços do órgão, como um simples empréstimo de livros.
Ainda há um ruído de comunicação entre os serviços e a demanda. Enquanto o público desconhece os benefícios da Biblioteca, exige um atendimento específico, como a abertura nos finais de semana. De acordo com a gerente, Rosângela Rocha de Melo, há também uma deficiência do estudante que, na maioria das vezes, não sabe fazer pesquisa de forma apropriada. A seção de Xerox deve ser terceirizada para dinamizar o atendimento, decisão tomada a partir do redirecionamento da logística da Biblioteca. Além disso, uma nova sinalização deve orientar aos usuários, para que ele não se sinta num labirinto ao procurar um livro.
Um dos projetos implementados na nova administração é a parceria inédita entre a Biblioteca e uma ONG, que resultou na implantação da Gibiteca que funciona na Casa do Papai Noel, às margens do Lago Igapó. A Biblioteca cedeu recursos humanos e preparação do acervo.
Outra novidade foi a inclusão no orçamento participativo do município a construção da nova biblioteca infantil localizada no Bosque. Uma comissão interdisciplinar, formada por pessoas com visão somatória sobre a temática, discute qual o melhor perfil de biblioteca para a cidade, não somente como serviço, mas até um projeto arquitetônico organicista, integrado à natureza. Mas afinal, qual o formato ideal de Biblioteca Pública? Para Célia Zambaldi, isso depende do perfil da cidade e da demanda. Uma de suas referências no setor é a Biblioteca Mário de Andrade, de São Paulo.
Dentre o turbilhão de idéias, novas propostas estão sendo repensadas para a desativada biblioteca circulante, que funcionou por mais de 20 anos num ônibus. Com um novo formato, o projeto deve recomeçar em breve.
A comissão interdisciplinar presta assessoria à biblioteca há quatro meses, traçando novos rumos para o local. Queremos que a Biblioteca se transforme num centro cultural, resume o secretário de cultura, Bernardo Pellegrini. Para as comemorações do cinquentenário, ele avisa que várias atividades serão realizadas para aquecer as idéias e dinamizar a histórica Biblioteca.


