Biblioteca Pública do Paraná exibe filmes franceses
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de maio de 1999
Zeca Corrêa Leite 
A Nouvelle Vague, o movimento vanguardista mais importante do cinema francês, teve seu período de ouro num curto período de tempo - de 1959 a 1965 -, mas o suficiente para influenciar cineastas das novas gerações de todo o mundo. Quatro dos filmes mais representativos dessa época serão exibidos a partir de hoje até quinta-feira, no auditório da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, às 18 horas, com entrada franca. Legendas em português.
A promoção é uma parceria da BPP com Lélio Sotto Maior Jr., estudioso de cinema e autor de uma coluna semanal publicada neste caderno. A série abre nesta segunda-feira com Pierrot Le Fou, de Jean-Luc Godard. Amanhã tem Jules et Jim, de François Truffaut; dia 12 Les Bonnes Femmes, de Claude Chabrol e dia 13 Adieu Philipine, de Jacques Rozer.
Sotto Maior explica que a Nouvelle Vague foi até hoje o mais inventivo movimento cinematográfico. Graças a ele a arte ganhou um estilo novo - livre, solto, completamente inovador. Muito diferente do academicismo americano, que continua utilizando ainda hoje as mesmas regras e fórmulas, apesar de boas exceções como Scorsese e Quarentino.
Justamente por causa da rigidez clássica que um grupo de jovens valores resolveu virar a mesa e fez nascer a Nouvelle. Em matéria de cinema de vanguarda, não foi feito nada melhor; continua sendo um movimento atualíssimo. Não ficou datado nem ultrapassado, assegura o cinéfilo.
Infelizmente, no final dos anos 60, essa corrente teve fim - a euforia dos novos caminhos acabou de forma melancólica: os cinegrafistas incorporaram em seu trabalho aquilo que anteriormente haviam criticado.
Totalmente apaixonado pelo cinema francês, Sotto Maior não esconde o fascínio explícito: Eu me criei amando a Nouvelle Vague. Tanta intensidade nos sentimentos que aos 18 anos começou a colecionar os famosos Cahier du Cinema. Mandou buscá-los na França, já que era praticamente impossível encontrá-los aqui.
Orgulhoso, conta ter a coleção completa das revistas amarelas. Traduzindo: entre abril de 1951 a outubro de 1964 essa foi a melhor publicação do gênero e se constituiu numa celebridade. Mas ao ser vendida para uma grande empresa, transformou-se numa revista comercial, como qualquer outra. Perdeu o espírito revolucionário que a incensava.
Com esse perfil, e um profundo conhecimento do movimento dos jovens cineastas franceses, Lélio Sotto Maior Jr. garante o painel representativo do período. Pierrot Le Fou, explica, é a obra-prima de Godard e o melhor da Nouvelle Vague. Nada chegou perto desse filme; Jean Paul Belmondo e Ana Karina estão excepcionais nessa grande sátira do mundo moderno.
Jules et Jim está entre as melhores obras de Truffaut e da Nouvelle Vague. Em Les Bonnes Femmes o cineasta e crítico Chabrol presta uma homenagem a Hitchcock. Em parceria com Eric Rohmes ele havia escrito um livro sobre o mestre, e quando rodou o filme, aproveitou para fazer-lhe uma reverência, dando todo um clima e sabor hitchcokiano.
Um comovente estudo da adolescência é como se pode chamar Adieu Philipine, de Rozier. O mais singelo e poético filme da Nouvelle Vague, foi considerado pelo Cahier du Cinema o melhor da Nouvelle, devido à maneira saborosa de abordar a adolescência; uma maneira singular que nunca tinha sido usada antes, segundo Lélio.
Semana da Nouvelle Vague - de 10 a 13 de maio no auditório do Biblioteca Pública do Paraná. Início às 18 horas, com entrada franca.


