Noel Rosa deixou célebre a frase criada por ele: ‘‘São Paulo dá café, Minas dá leite e a Vila Isabel dá samba’’. Bem, Vila Isabel deu à música o próprio Noel, mas no caso de Minas Gerais além de leite e escritores, ela também colocou Ataulfo Alves nos braços do samba. A Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, abriu no saguão do prédio uma exposição abordando a vida do artista.
‘‘Pois é... 30 Anos sem Ataulfo Alves’’, que fica naquele espaço até 5 de maio, reúne fotos, recortes de jornais e revistas, discos, letras de músicas e outros materiais que, de alguma forma, ilustram a carreira do compositor falecido a 20 de abril de 1969, um dia após sofrer intervenção cirúrgica para curar a úlcera que o maltratava.
Ao morrer deixou uma história rica na mpb, iniciada em 1935 com seu primeiro sucesso, ‘‘Saudade do Meu Barracão’’, gravado por Floriano Belham. Ironia: em 1934 Carmen Miranda, que despontara para a celebridade três anos antes, foi a primeira a gravá-lo (‘‘Tempo Perdido’’), sem êxito.
Gente que vai de Roberto Carlos a Carlos Galhardo, de Elis Regina a Dalva de Oliveira e Elizeth Cardoso foram alguns de seus intérpretes. O Brasil inteiro cantou à época do lançamento canções que venceram o tempo como ‘‘Ai, que Saudades da Amélia’’, ‘‘Atire a Primeira Pedra’’ (ambas em parceria com Mário Lago), ‘‘Errei, Sim’’, ‘‘Laranja Madura’’, ‘‘Mulata Assanhada’’ e ‘‘Meus Tempos de Criança’’, onde relembra sua infância e que virou uma espécie de hino da nostalgia. (Leia mais sobre Ataulfo Alves na última página do Caderno 2)

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