Biblioteca da ABL reabre com obras raras
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quinta-feira, 08 de novembro de 2001
Sabrina Petry<bR>Agência Folha 
Com um acervo que reúne exemplares raros, como a primeira edição de ''Os Lusíadas'', de Luís de Camões, datada de 1572, e cartas recém-descobertas de Euclydes da Cunha e Mario de Andrade, a biblioteca da ABL (Academia Brasileira de Letras) será reaberta hoje, após quatro meses de reforma.
A biblioteca em estilo clássico, que ocupa o segundo andar do palácio Petit Trianon, no Rio, nunca havia sido reformada desde a criação, em 1897, a partir da doação do primeiro livro, ''Flor de Sangue'', feita pelo seu autor, Valentim Magalhães.
Com as obras, foi informatizado o acervo, reformado o mobiliário e foi criada uma sala para uso exclusivo dos acadêmicos. Também foram providenciadas nova iluminação e climatização. ''Durante o verão, a temperatura chegava a quase 40ºC, o que dificultava o trabalho e a conservação dos livros'', diz o presidente da ABL, Tarcísio Padilha.
O acervo total da instituição reúne cerca de 100 mil livros, dos quais apenas 24 mil estarão disponíveis na biblioteca. São os que tratam de filologia e de literatura brasileira. Também estão lá as coleções particulares de Machado de Assis, Manuel Bandeira, Olavo Bilac e Antonio Houaiss, entre outros, além das obras produzidas pelos imortais até agora.
Além das raridades já conhecidas pelos acadêmicos, durante as obras foram descobertas outras, esquecidas dentro de livros. Uma delas é a carta encontrada dentro de ''Peru versus Bolívia'' (1907), de Euclydes da Cunha para Domício da Gama. Outra, achada entre as páginas de ''Belas Artes'' (1934), foi escrita por Mário de Andrade para Manuel Bandeira.
Outra preciosidade é a primeira edição de ''As Rhithmas de Camões'', de 1595. Também estão lá o que é considerado o primeiro dicionário da língua portuguesa, o de Antônio Morais e Silva, de 1813, e a primeira enciclopédia do mundo, ''Encyclopédie dês Sciences, dês Arts et dês Metier'', de Diderot e D'Alembert, de 1781.
Para evitar a deterioração, as obras consideradas raras estão guardadas e serão expostas numa vitrine em esquema de revezamento. A biblioteca da Academia somente poderá ser visitada por pesquisadores, jornalistas e escritores. Estudantes, salvos os que pretendem defender teses de doutorado ou mestrado, não são bem-vindos.
Para comportar o restante dos livros guardados pela ABL, outra biblioteca será montada no prédio anexo. Diferentemente da anterior, ela será em estilo moderno, guardará as obras mais ordinárias e as duplicatas dos livros expostos no Petit Trianon e será aberta ao público, inclusive estudantes.


