Bibi Ferreira inaugura programação de novo teatro
São Paulo, 31 (AE) - Há cinco anos, a atriz Bibi Ferreira criou o espetáculo "Bibi Canta e Conta Piaf" para ser apresentado uma única vez num grande evento carioca. Algum tempo depois, o espetáculo fez temporada no Canecão do Rio e, neste fim de semana, será apresentado pela primeira vez em São Paulo, inaugurando oficialmente o Teatro Renaissance. No dia 11, será a vez de Raul Cortez entrar em temporada na mesma casa com o monólogo "Um Certo Olhar - Pessoa Lorca".
"Fiz muitas viagens a São Paulo nos dois últimos anos e estou feliz em inaugurar mais um teatro muito bonito". Quem teve a oportunidade de ouvi-la cantando na abertura de entrega do Prêmio Apetesp, na semana passada, sabe que sua bela voz e talento por si só valem uma ida a qualquer teatro. Em "Bibi Canta e Conta Piaf", o ator Nilson Raman narra a história da cantora francesa Edith Piaf desde o início de sua carreira, cantando no Cabaré Gernys, de segunda categoria, até ser descoberta por Raymond Asso e atingir o auge do sucesso na àpera de Paris. A narrativa é intercalada pelas canções interpretadas pela atriz. No palco estão, ainda, os músicos Aldo Vale, no baixo; Irene Mutanen, no acordeão; e André Santos, na bateria. Piano, regência e arranjos ficaram a cargo do maestro Nelson Melim. "Ele criou novos e belíssimos arranjos, alguns brilhantes como o da canção "La Ville Inconnue", do qual eu gosto especialmente".
No espetáculo, Bibi canta 15 canções do repertório de Piaf, algumas famosas como "La Vie en Rose", "Hymne à lAmour" e "Milord" e outras do repertório inicial da cantora
de gosto duvidoso, como "Monsieur Saint-Pierre", que Bibi canta em português. "A letra tem humor e por isso precisa ser entendida". Entre os grandes momentos está a interpretação de "Padan, Padan", "uma canção difícil de cantar".
Poesia - No dia 11, Raul Cortez sobe ao palco do Renaissance levando consigo a poesia de dois dos maiores poetas ibéricos, o português Fernando Pessoa e o espanhol Federico Garcia Lorca, em "Um Certo Olhar - Pessoa Lorca". O ator criou com seu roteiro um desenho das inquietações do homem desde a infância, passando pela adolescência e a descoberta do amor para chegar à maturidade e daí saltar para a velhice, a finitude, o medo da morte. Tudo sem acrescentar nenhuma palavra à obra dos dois poetas.
Nessa empreitada, Cortez foi dirigido por José Possi Neto e divide o palco com os músicos César Assolant (violão e guitarra) e Marcos Vinícius Penna (violino e bandolim). No palco
Cortez fala poesias como se contasse histórias e ainda conta histórias tiradas de peças de Lorca, como as de "O Malefício da Mariposa", com grande talento e humor. (B.N.)





