Bezerra de Menezes é destaque no cinema
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Entre o céu e a terra existe a vida, que determina sempre quem tem direito à eternidade - pelo menos histórica. Bezerra de Menezes, médico e político cearense incorporou ao nome o título de ''Allan Kardec brasileiro'', conquistando essa morada. Uma trajetória que inspirou o filme, que será lançado nacionalmente no próximo dia 29.
A avant-première de ''Bezerra de Menezes: o Diário de Um Espírito'', direção de Glauber Rocha Filho e Joe Pimentel, hoje, às 21h, no Cinemark Mueller, em Curitiba, para convidados e imprensa, integra o circuito de pré-estréias em 13 capitais brasileiras.
O ator Carlos Vereza ressuscita, na telona, o ícone do espiritismo brasileiro, um dos mentores de Chico Xavier, que materializou uma biografia humanitária, além do visível em seu pioneirismo religioso. No elenco ainda Caio Blat, Lúcio Mauro, Alexandra Marinho, Ana Rosa, Paulo Goulart Filho, Juliana Carvalho, Nanda Costa, entre outros.
Com um orçamento em R$ 2,7 milhões, o longa da Trio Filmes realizado pela Organização Não-governamental (ONG) Estação da Luz, é uma viagem ao universo do cidadão Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, que também se tornou conhecido como ''Médico dos Pobres''.
Produtor do filme, Luís Eduardo Girão, afirma que contar a história de Bezerra de Menezes tem mais do que a aura biográfica de um levantamento realizado por Luciano Klein e a roteirista Andréa Bardawill. ''O longa conta a vida de um grande brasileiro, que nasceu no interior do Ceará, mas que construiu o legado no Rio de Janeiro. Um exemplo que precisamos ter em nossa sociedade em que ter é mais importante do que ser. Contamos a trajetória de um pacifista. Precisamos de referências como essa, que inspiram valores como ética'', destaca Girão, que é organizador da Mostra Brasileira de Teatro Transcendental, realizada há seis anos no Ceará.
Cento e cinquenta pessoas participaram da produção, ajudando a reconstruir o mito, que não aparece somente nos quatro cantos do dogmatismo, mas que tem trânsito livre na galeria de figuras políticas, o que faz os realizadores apostarem num público superior a um milhão de pessoas.
À frente do seu tempo, outros aspectos da vida de Bezerra de Menezes, como as aspirações abolicionistas e o de um homem precursor do espírito ambientalista em defesa da Amazônia, põem luz sobre o personagem. Iluminado pelos pensamentos do Século das Luzes, Bezerra de Menezes fez a própria revolução aos 55 anos, assumindo publicamente no auditório da Guarda Velha, o opção pela doutrina.
''Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!... Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no 'O Livro dos Espíritos'. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: 'parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença''', teria afirmado Bezerra de Menezes sobre o primeiro contato com a espiritismo. ''A família dele chegou a exigir que não usasse mais o sobrenome. Foi um escândalo no século XIX'', aponta Girão.
No filme narrativamente em primeira pessoa, 90% são originais do próprio médico. Ao ator Carlos Vereza, a missão de interpretar o personagem que traz certa semelhança, endoçada também pela prática espírita há 18 anos. Para Divaldo Franco, considerado o sucessor de Chico Xavier, para além das semelhanças físicas entre o ator e Bezerra de Menezes, no set de filmagem, Vereza estaria envolvido espiritualmente pelo personagem.
Os feitos de Bezerra de Menezes são lendários, como o dia em que tirou o anel de formatura, dando a uma mulher para que comprasse remédio. Feitos heróicos que para se tornar realidade no cinema contou com apoio da Lei Rouanet, que investiu 670 mil na produção. ''A realização do filme foi surpreendente. Tudo deu certo. É a primeira produção da Estação da Luz. Compreendemos que é difícil conseguir apoios, mas o Bezerra de Menezes é muito querido. Juntamos esforços. Aí também tem uma questão transcendental em que tudo contribuiu a favor da obra'', afirma Girão.


