Luiza Dantas/Carta Z NotíciasBetty Lago:‘‘no trabalho me interessa ir ao estúdio e ficar feliz com o que faço’’Representar um grande papel pode parecer o objetivo de qualquer atriz. Para Betty Lago, no entanto, esse propósito não existe. ‘‘Faço o que acho que tem a ver comigo. Não há um papel especial que gostaria de fazer’’, minimiza. Apesar de esnobar papéis importantes, Betty está na pele de Sofia, protagonista da novela ‘‘O amor está no ar’’, que termina amanhã, na Globo. A personagem mostra traços em comum com a atriz: as duas são empresárias e independentes. ‘‘Inconscientemente, o ator sempre usa as experiências pessoais na cena’’, acredita Betty.
A vivência como empresária na BL Produções, responsável pela produção do programa na tevê a cabo GNT fashion, fez da atriz uma pessoa prática. ‘‘Sou direta. Não me interesso por pequenas conversinhas’’, define-se. Na conversa, Betty é olho no olho - a 10 cm de distância, por causa da miopia - e mantém todo o tempo um ar blasé. Essa secura, geralmente classificada como esnobismo, se reflete na carreira.
Na hora de escolher um personagem, ou mesmo para formar o perfil psicológico de Sofia, Betty não faz avaliações rocambolescas. ‘‘É muito chato esse tipo de análise’’, reclama. Dessa forma, quando foi convocada para interpretar Sofia, Betty considerou apenas a parte objetiva. ‘‘Não pensei nada. Achei os diálogos bem escritos e senti que não teria vergonha de falá-los’’, simplifica.
Sofia é uma viúva judia com três filhos para criar. O personagem deu a Betty a oportunidade de estudar a religião judaica. ‘‘Sempre me interessei pelo assunto, mas nunca tive tempo’’, constata. Num clássico estereótipo de mãe judia, os filhos são a coisa mais importante na existência de Sofia. Principalmente Luiza, papel de Natália Lage, que tem uma relação de amor e ódio com a mãe. Esse tipo de conceito não se encaixa na vida de Betty. ‘‘Com meus filhos existem cobranças mas, na maioria das vezes, somos amigos’’, gaba-se.
A carência de atenção dos filhos acontece pela falta de tempo e dedicação. ‘‘Sempre existem momentos em que você não está tão amiga, ou tão disponível’’, admite. Esse mesmo modo personalista, Betty emprega na produção do GNT Fashion, nos compromissos cada vez mais esporádicos como modelo e nas gravações da novela. ‘‘No trabalho, me interessa ir ao estúdio e ficar feliz com o que faço’’, define.
CarreiraO primeiro papel de Betty na tevê foi, em 1992, na minissérie ‘‘Anos Rebeldes’’, em que interpretava a rica Natália. Na linha de personagens esnobes, Betty também esteve na novela ‘‘Quatro por quatro’’ como a espalhafatosa Abigail. Com a Bibi, a atriz conseguiu se destacar e ganhar a simpatia do autor Carlos Lombardi, que descobriu nela um lado cômico. O mesmo Carlos escalou de novo a atriz para o elenco de ‘‘Vira-lata’’.
Na segunda novela, Betty não teve tanto destaque. No papel de Valquíria, a atriz deixava de lado o jeito esnobe para tentar explorar mais a veia cômica. Apesar de ‘‘Vira-lata’’ ter sido criticada pela imprensa, Betty assegura que não leu nenhuma crítica sobre Valquíria. ‘‘Também não me importaria. Não é a crítica que move o mundo’’, desdenha.
Segundo a atriz, a crítica no Brasil não tem muita influência. Ela exemplifica o poder da crítica com o ator Ricardo Macchi, que ela assegura ter talento e que foi arrasado pela crítica quando fazia o Igor, em ‘‘Explode coração’’. ‘‘O Ricardo continua fazendo o trabalho dele. As mulheres ficam atrás dele na rua’’, acredita. Betty não considera, no entanto, que, apesar do assédio feminino, Ricardo Macchi não conseguiu emplacar seu papel na novela ‘‘A Indomada’’. No lugar dele entrou Licurgo Spínola, no papel do Egídio.
Apesar do exemplo pouco confiável, Betty garante que uma atriz não deve levar em consideração as críticas. ‘‘Estou fazendo porque gosto de fazer, o dia que não gostar mais eu paro’’, simplifica. Essa atitude individualista fez com que Betty fosse descartada do elenco de ‘‘A Justiceira’’. ‘‘Não quero falar sobre outras produções, estou aqui para falar da novela’’, tergiversa.

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